Nova escalada na guerra Rússia x Ucrânia trava fluxo internacional do trigo e cotações seguem se valorizando

Argentina deve aproveitar espaço para exportar, o que deve aumentar custo de importação no Brasil. Por outro lado, produtor brasileiro aproveita altas para comercializar
Publicado em 04/09/2026 15:26
Raphael Bulascoschi - Analista de Mercado da StoneX
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Nova escalada na guerra Rússia x Ucrânia trava fluxo internacional do trigo e cotações seguem se valorizando

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A nova escalada da guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a afetar o fluxo internacional de trigo e tem dado sustentação às cotações da commodity nas últimas semanas. Com a redução do movimento de navios na região do Mar Negro, compradores internacionais passaram a buscar outras origens, aumentando a procura por países como Austrália e Argentina.

Segundo Raphael Bulascoschi, analista de mercado da StoneX, o temor de dificuldades no escoamento de grãos da Rússia e da Ucrânia deixou de ser apenas um risco potencial e passou a aparecer de forma mais concreta no mercado. Ataques à infraestrutura portuária e a embarcações reduziram o fluxo de exportações, o que elevou a demanda por fornecedores alternativos.

“Esse rumor se concretizou. A gente tem visto realmente o fluxo de navios diminuído bastante ao longo dos últimos meses, o que, sem dúvidas, tem elevado a demanda pelos compradores internacionais por outras origens que não Rússia e Ucrânia”, afirmou.

Nesse cenário, Austrália e Argentina aparecem entre os principais países capazes de absorver parte dessa procura adicional. Os dois devem colher boas safras de trigo, mas, segundo Bulascoschi, ainda não têm volume suficiente para substituir integralmente a participação de Rússia e Ucrânia no comércio global. :contentReference[oaicite:0]{index=0}

Para o Brasil, o avanço da Argentina como fornecedora de outros mercados pode trazer uma consequência direta sobre o custo das importações. O país é um dos principais fornecedores de trigo ao mercado brasileiro e, com preços internacionais mais elevados e maior competição pelo cereal argentino, a tendência é de pressão sobre os valores de entrada.

“Se a gente vê um preço internacional mais caro, o Brasil também vai estar sujeito a esse preço internacional mais caro”, destacou o analista. Ele lembra ainda que a volatilidade cambial também pode ampliar esse movimento, já que uma valorização do dólar frente ao real encarece o produto importado. :contentReference[oaicite:1]{index=1}

Por outro lado, o ambiente de preços mais firmes pode abrir uma janela melhor de comercialização para o produtor brasileiro. Bulascoschi destaca que a cultura enfrentou custos elevados e perda de área nesta temporada, mas que as perspectivas de boa produtividade no Rio Grande do Sul e no Paraná, combinadas à valorização internacional, podem melhorar as margens de venda.

Para a safra de 2027, porém, o analista ainda considera cedo afirmar que os preços atuais serão suficientes para estimular uma recuperação da área plantada. Uma eventual normalização do escoamento pelo Mar Negro poderia reduzir novamente os prêmios de risco e devolver as cotações a patamares mais próximos da normalidade.

Assim, o comportamento do mercado nas próximas semanas deve continuar fortemente condicionado à evolução do conflito e à capacidade de Rússia e Ucrânia de manter o fluxo de exportações, enquanto produtores e compradores brasileiros acompanham os reflexos sobre preços, importações e comercialização.

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