Frente fria volta a ganhar força no Sul e mantém alerta para temporais; interior do Brasil segue seco

Nova frente fria mantém o Rio Grande do Sul em alerta para temporais, enquanto o interior do Brasil segue sob influência do ar seco, com baixa umidade, calor e risco elevado de queimadas, cenário que exige atenção do produtor rural
Publicado em 27/07/2026 10:15 e atualizado em 27/07/2026 10:52
Patrícia Cassoli - Meteorologista da Ampere

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A passagem de uma nova frente fria volta a exigir atenção dos produtores rurais do Sul do Brasil nesta semana. Depois de um breve período de estabilidade, o sistema avança lentamente sobre o Rio Grande do Sul e deve provocar temporais, rajadas de vento e possibilidade de granizo até pelo menos quarta-feira (30). Enquanto isso, grande parte do interior do país continua sob influência do ar seco, com baixa umidade relativa do ar e ausência de chuva, cenário que favorece a evolução da colheita, mas aumenta o risco de queimadas e do estresse hídrico nas lavouras.

Segundo a meteorologista Patrícia Cassoli, da Ampere, a nova frente fria já começou a alterar as condições do tempo no extremo Sul do país e deve concentrar os maiores volumes de chuva sobre o território gaúcho.

"Hoje permanece a condição para chuva mais forte, principalmente sobre a metade sul do Rio Grande do Sul. Novamente há possibilidade de temporais, com queda de granizo e fortes rajadas de vento", afirma.

De acordo com a especialista, o sistema avança lentamente, prolongando o período de instabilidade sobre o estado. "O produtor gaúcho teve uma janela pequena de tempo mais seco após a frente fria da semana passada, mas a partir de hoje volta essa condição de maior instabilidade, principalmente no Rio Grande do Sul", destaca.

Chuva avança gradualmente para os estados vizinhos

A previsão indica que as instabilidades permanecem concentradas no Rio Grande do Sul até quarta-feira. Na sequência, a frente fria avança para Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e parte do interior de São Paulo, embora com menor intensidade.

"A partir de quarta para quinta-feira, a chuva começa a avançar para Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, mas com potencial menor de volume quando comparado ao Rio Grande do Sul. Ainda assim, não se descarta chuva forte e até queda isolada de granizo no oeste catarinense, interior do Paraná e em algumas áreas do Mato Grosso do Sul", explica Patrícia.

No interior paulista, as primeiras pancadas devem alcançar as áreas de divisa com Mato Grosso do Sul entre o fim da quarta-feira e a quinta-feira.

Interior do país segue sem chuva

Enquanto a chuva avança pelo Sul, o cenário permanece bastante diferente nas áreas centrais do Brasil. Estados como Goiás, Mato Grosso, Tocantins, interior de Minas Gerais, Bahia e Piauí continuam sem previsão de precipitação até o encerramento de julho.

"O interior do Brasil permanece sem condição de chuva. Toda essa região mais central vai terminar o mês de julho com tempo mais seco, que é uma característica típica desta época do ano", afirma a meteorologista.

Ela ressalta que os sistemas capazes de levar chuva organizada para essas áreas são menos frequentes durante o inverno, mantendo o bloqueio atmosférico e favorecendo dias ensolarados e secos.

Norte e litoral do Nordeste seguem com pancadas isoladas

Fora da faixa de atuação da frente fria, a chuva permanece concentrada sobre o extremo Norte do país. Amazonas e Roraima continuam com previsão de pancadas isoladas, que podem ocorrer com intensidade moderada a forte em alguns momentos.

No litoral do Nordeste e no Espírito Santo, também são esperadas chuvas rápidas e localizadas, típicas da circulação de umidade oceânica, sem volumes expressivos para o interior da região.

Mesmo com uma melhora temporária prevista para o Rio Grande do Sul entre quinta e sexta-feira, a meteorologista alerta que a trégua será curta.

"O Rio Grande do Sul terá uma condição maior de estabilidade no fim da semana, mas a chuva deve retornar a partir do sábado, novamente com possibilidade de novos temporais", conclui.

Baixa umidade e calor exigem atenção no campo

Além da ausência de chuva, outro ponto de preocupação para o setor agropecuário é a queda da umidade relativa do ar. A previsão indica índices inferiores a 30% em boa parte do Centro-Oeste, Tocantins, interior da Bahia, sul do Piauí, norte de São Paulo e interior de Minas Gerais.

"A umidade pode ficar abaixo dos 30% durante a tarde em várias áreas do Centro-Oeste, Tocantins, interior da Bahia, sul do Piauí e também em parte de Minas Gerais e do norte paulista", alerta Patrícia.
As temperaturas também seguem elevadas no Centro-Oeste, Norte e Nordeste, com máximas entre 35°C e 36°C em cidades como Cuiabá (MT), Palmas (TO) e áreas do Piauí. No Rio Grande do Sul, por outro lado, o excesso de nebulosidade mantém as temperaturas mais amenas.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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