Frente fria leva chuva ao Sudeste; seca e calor seguem no interior do país
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A frente fria que provocou temporais e acumulados expressivos de chuva no Sul do Brasil começa a perder intensidade nesta quinta-feira (23), mas ainda mantém instabilidades sobre o litoral do Rio Grande do Sul e avança em direção ao Sudeste. Para o produtor rural, a atenção agora se divide entre os impactos das chuvas nas áreas agrícolas do Sul e o tempo seco que continua predominando no interior do país, elevando o risco de estresse hídrico das culturas e de queimadas.
De acordo com a meteorologista Andreia Ramos, o sistema frontal apresentou o comportamento previsto pelos modelos meteorológicos, provocando volumes elevados de precipitação entre o domingo e a quarta-feira.
"A frente se organizou e trouxe chuvas muito significativas para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ela também conseguiu alcançar Mato Grosso do Sul e pontos do extremo sul de São Paulo, exatamente como indicavam as previsões", explica.
Segundo a especialista, somente nas últimas 24 horas foram registrados mais de 60 milímetros em municípios do litoral norte gaúcho, enquanto as precipitações se espalharam por Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Chuva diminui no Sul, mas segue no litoral gaúcho
Com o deslocamento da frente fria, o cenário começa a mudar na Região Sul. As precipitações mais intensas deixam o interior do Rio Grande do Sul e passam a se concentrar entre o litoral gaúcho e áreas próximas ao oceano.
"A tendência agora é que essa frente continue perdendo força à medida que avança. Ainda teremos bastante nebulosidade e chuva fraca em parte do litoral do Rio Grande do Sul, mas os temporais mais intensos já ficaram para trás", afirma Andreia Ramos.
Em Santa Catarina e no Paraná, a melhora das condições do tempo acontece gradualmente, embora ainda possam ocorrer pancadas isoladas nesta quinta-feira.
São Paulo e Mato Grosso do Sul entram na rota da frente fria
Enquanto o Sul apresenta melhora, o sistema avança sobre Mato Grosso do Sul e São Paulo, levando chuva para áreas que enfrentavam um período prolongado de tempo seco.
Segundo a meteorologista, esse comportamento é típico do inverno.
"As frentes frias costumam avançar pelo Sul e, dependendo da intensidade, conseguem alcançar Mato Grosso do Sul e São Paulo. Foi exatamente isso que aconteceu desta vez."
As precipitações devem atingir principalmente o sul e o oeste paulista, enquanto Mato Grosso do Sul registra chuva em boa parte do estado.
Apesar do retorno da umidade, os volumes previstos não devem causar impactos semelhantes aos observados no Rio Grande do Sul.
Nordeste registra acumulados elevados
Além da frente fria, outro destaque é a atuação de um cavado atmosférico sobre o litoral leste do Nordeste, favorecendo volumes elevados de chuva em áreas entre Pernambuco e o Rio Grande do Norte.
Andreia Ramos destaca que alguns municípios registraram acumulados próximos de 150 milímetros.
"Essas chuvas são comuns nesta época do ano por causa das ondas de leste. Elas ajudam a repor a umidade, embora também possam provocar alagamentos em áreas urbanas."
Interior do Brasil segue sob bloqueio atmosférico
Enquanto a chuva avança apenas em parte do país, grande parte do Centro-Oeste, interior do Sudeste e Matopiba permanece sob influência de um bloqueio atmosférico, que impede o avanço das frentes frias.
Com isso, o predomínio é de sol, temperaturas elevadas durante a tarde e baixos índices de umidade relativa do ar, cenário que preocupa principalmente produtores que já enfrentam restrições hídricas e aumento do risco de incêndios em áreas rurais.
Para os próximos dias, a expectativa é de que novas frentes frias continuem avançando pelo Sul do Brasil, mas sem a intensidade observada nesta semana. Enquanto isso, o interior do país seguirá convivendo com calor, baixa umidade e necessidade de atenção redobrada no manejo das lavouras e das áreas de pastagem.
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