Temporais avançam sobre áreas produtoras do Sul, enquanto tempo seco mantém alerta para lavouras no Centro do Brasil

Fenômeno deve aumentar a frequência das frentes frias e das chuvas no Sul nas próximas semanas, enquanto produtores de cana, café e grãos em São Paulo e Mato Grosso do Sul devem acompanhar possíveis interrupções no campo.
Publicado em 22/07/2026 10:53 e atualizado em 22/07/2026 11:23
Alexandre Nascimento

A confirmação do fortalecimento do El Niño ao longo dos próximos meses mantém o produtor rural em estado de atenção para a safra 2026/27. Apesar da expectativa de um fenômeno de forte intensidade até o primeiro trimestre de 2027, o meteorologista e CEO da Nottus, Alexandre Nascimento, reforça que, por enquanto, não há indicativos de uma repetição dos eventos extremos registrados em 2024.

Segundo o especialista, a última projeção da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) mostra que o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial continuará se intensificando ao longo do segundo semestre.

"Neste momento, o último relatório da NOAA aponta uma anomalia de 1,4°C, caracterizando um El Niño de intensidade moderada. A perspectiva é que ele vá ganhando força ao longo dos próximos meses, com maior probabilidade de atingir intensidade muito forte entre o fim deste ano e o início de 2027", explica Alexandre.

Ele lembra que o fenômeno deve permanecer ativo até o primeiro trimestre de 2027 e perder intensidade gradualmente ao longo do primeiro semestre.

Atenção no campo: prejuízos podem ocorrer mesmo sem eventos extremos
Embora descarte, neste momento, um cenário semelhante ao das enchentes históricas de 2024 no Rio Grande do Sul, Alexandre alerta que acumulados elevados em curto espaço de tempo já são suficientes para causar prejuízos importantes ao agronegócio.

"Não precisa acontecer o que aconteceu em 2024 para termos problemas. Uma chuva de mais de 100 milímetros em 24 horas já pode provocar alagamentos, levar sementes recém-plantadas, comprometer aplicações de defensivos e causar perdas em lavouras que estão em desenvolvimento ou próximas da colheita", afirma.

Segundo ele, áreas produtoras de arroz no Rio Grande do Sul merecem atenção especial.

"Nas regiões arrozeiras, onde existe controle do nível de água nas lavouras, uma chuva intensa faz o produtor perder completamente esse controle. É uma situação bastante delicada para a agricultura."

Além dos impactos diretos nas plantas, o excesso de chuva também dificulta o acesso às propriedades e interrompe operações de plantio, pulverização e colheita.

Frente fria avança e leva chuva para Centro-Sul

De acordo com Alexandre, a frente fria responsável pelas chuvas intensas no Sul deixou de ficar bloqueada sobre o Rio Grande do Sul e começa a avançar pelo Centro-Sul do Brasil.

A chuva perde intensidade sobre os estados do Sul já nesta quarta-feira, mas passa a alcançar Mato Grosso do Sul, São Paulo e, posteriormente, o sul de Minas Gerais.

"A partir de quinta-feira, produtores de cana em Mato Grosso do Sul, norte do Paraná e interior de São Paulo, além das regiões cafeeiras do Sul de Minas, podem registrar interrupções momentâneas das atividades por causa da chuva. Não será uma chuva prolongada, mas suficiente para interromper operações no campo."

Segundo o meteorologista, a precipitação também deve aliviar temporariamente a baixa umidade do ar em parte dessas regiões.
Agosto deve ser marcado pela passagem frequente de frentes frias

A previsão da Nottus indica que uma nova frente fria deve chegar ao Sul já no próximo domingo. Diferentemente do sistema atual, ela deve avançar com maior rapidez pelo continente, levando chuva ao Sudeste e ao Centro-Oeste antes de perder força.

Esse padrão deverá se repetir ao longo de praticamente todo o mês de agosto.

"Vamos ter uma frente fria nesta semana, outra no início da próxima e esse comportamento tende a se repetir durante agosto. As frentes avançam pelo Sul, chegam a São Paulo e Mato Grosso do Sul com menor intensidade e seguem seu deslocamento."

Segundo Alexandre, esse comportamento já representa uma influência típica do El Niño.

Chuva acima da média, mas sem repetir 2024

Apesar da expectativa de precipitações acima da média histórica em parte do Sul do Brasil, Alexandre reforça que os atuais modelos não indicam um cenário comparável ao observado há dois anos.

"A gente está vendo volumes elevados e isso já é suficiente para trazer transtornos. Mas, por enquanto, não há expectativa de nada comparável ao que aconteceu em 2024."

Ele lembra que, na última semana, alguns municípios registraram acumulados próximos de 200 milímetros, valor elevado, mas muito inferior aos mais de 600 milímetros registrados durante os episódios extremos daquele ano.

São Paulo e Mato Grosso do Sul entram no radar

Além do Sul, Alexandre destaca que São Paulo e Mato Grosso do Sul também podem sentir os efeitos do fortalecimento do El Niño nos próximos meses.

"São Paulo e Mato Grosso do Sul podem entrar em um padrão de chuva acima da média neste ano. É um comportamento que já começa a aparecer nas previsões e que deve continuar sendo monitorado ao longo dos próximos meses."
Para o produtor rural, a recomendação é acompanhar atentamente as atualizações meteorológicas, principalmente nas regiões onde as operações agrícolas dependem de janelas curtas de tempo seco para plantio, tratos culturais e colheita.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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