Chuvas ganham força no Sudeste e preocupam cafeicultores e usinas; frio intenso segue avançando pelo Sul
As condições climáticas seguem exigindo atenção do produtor rural em diversas regiões do Brasil. Enquanto o Sul enfrenta uma das massas de ar polar mais intensas do ano, o Sudeste entra em alerta para a volta das chuvas volumosas, que podem impactar a colheita do café, a moagem da cana-de-açúcar e as operações no campo.
De acordo com o meteorologista e sócio-diretor da Nottus, Alexandre Nascimento, o padrão atmosférico observado nos últimos dias deve continuar influenciando o clima nas principais regiões produtoras do país.
"Estamos sob influência do El Niño, que ainda apresenta intensidade moderada. Essa condição favorece uma maior frequência de frentes frias avançando pelo Sul e chegando até São Paulo, Mato Grosso do Sul, parte de Minas Gerais e Mato Grosso. É um padrão que deve se repetir ao longo das próximas semanas", explicou.
Nesta terça-feira, as imagens de satélite e radar já mostravam chuva avançando sobre grande parte do estado de São Paulo e alcançando áreas do sul de Minas Gerais. Segundo Alexandre, os volumes mais expressivos devem se concentrar entre São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e o extremo sul de Goiás até pelo menos sexta-feira.
A preocupação é maior justamente em regiões que concentram importantes atividades agrícolas. Até o final do mês, os acumulados mais elevados devem atingir áreas produtoras de café do Sul de Minas, da Mogiana Paulista e do Cerrado Mineiro.
"Temos uma situação que preocupa porque são regiões em plena atividade de colheita. A chuva pode interromper operações no campo, afetar a qualidade dos grãos e trazer impactos para a logística", destaca o meteorologista.
O mesmo cenário vale para a cana-de-açúcar. As precipitações frequentes podem dificultar o acesso das máquinas às lavouras e comprometer o ritmo da colheita e da moagem em importantes polos produtores do interior de São Paulo e de Mato Grosso do Sul.
No Mato Grosso, o algodão também entra na lista das culturas mais sensíveis. Áreas próximas à BR-163 e à divisa com Rondônia podem registrar chuva nos próximos dias, elevando o risco de perda de qualidade dos capulhos já abertos.
Enquanto a chuva preocupa produtores do Centro-Sul, o frio segue sendo o principal destaque na Região Sul. A massa de ar polar derrubou as temperaturas para valores negativos em diversas localidades. Em Bom Jardim da Serra, na Serra Catarinense, os termômetros chegaram a registrar -9°C. Em cidades como Caxias do Sul (RS), Chapecó (SC) e Cascavel (PR), as temperaturas ficaram próximas dos 2°C e 3°C.
O frio também avançou sobre Mato Grosso do Sul. Regiões próximas à fronteira com o Paraguai registraram temperaturas em torno de 2°C, com destaque para Ponta Porã, onde os termômetros marcaram apenas 6°C durante a manhã.
Já no Norte e em grande parte do interior do Nordeste, o cenário continua oposto. A ausência de chuva mantém o tempo seco e favorece temperaturas elevadas. Tocantins, sul do Pará, Maranhão, Piauí e interior da Bahia seguem registrando máximas acima dos 30°C, com algumas localidades alcançando até 36°C.
Segundo Alexandre Nascimento, esse padrão é típico desta época do ano. "Estamos numa fase em que o interior do Norte e do Nordeste naturalmente apresenta menos chuva. Apesar do calor e do tempo seco, os reservatórios e as pastagens ainda refletem o bom período chuvoso registrado no início do ano", explica.
As exceções ficam por conta do extremo Norte do país e do litoral nordestino. Amazonas, Roraima e Amapá continuam registrando chuvas frequentes, enquanto áreas próximas ao litoral de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte seguem recebendo umidade transportada pelo Oceano Atlântico.
Para os próximos dias, a expectativa é de manutenção desse contraste climático: chuva volumosa e frequente no Sudeste e parte do Centro-Oeste, frio intenso no Sul e calor persistente no Norte e no interior do Nordeste. O cenário exige atenção dos produtores rurais, especialmente daqueles que estão em plena colheita ou dependem de janelas de tempo seco para realizar atividades no campo.
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