Soja tem espaço para novas altas em Chicago e conferir oportunidades ainda melhores ao Brasil

Produtor pode adotar estratégia para aproveitar potencial avanço na CBOT e ao mesmo tempo já garantir parte das vendas da safra 2026/27. Momento é bastante oportuno para avançar com os negócios.
Publicado em 09/09/2026 17:03
Marcos Araújo - Analista da Agrinvest

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O mercado da soja fechou o dia no vermelho na Bolsa de Chicago. A quarta-feira (9) foi de ajustes e realização de lucros para os futuros da oleaginosa, que começou o dia testando leves altas, mas sentiu a pressão das perdas do trigo - em função do cenário entre Rússia e Ucrânia - e das baixas dos derivados. Na outra ponta, a demanda forte da China no mercado norte-americano e o petróleo subindo, de volta ao patamar dos US$ 100,00 por barril para o brent, ajudaram a limitar as perdas na CBOT. 

E assim, as cotações ainda se sustentam em patamares acima dos US$ 13,00 por bushel, com o março fechando com US$ 13,31 e o maio com US$ 13,37 por bushel. Neste cenário, o ambiente permanece favorável a formação de preços da soja também no mercado nacional. 

Com a convergência de fatores climáticos na América do Sul, a volatilidade das cotações na Bolsa de Chicago e as oscilações do câmbio no cenário doméstico, a comercialização da oleaginosa exige cautela e planejamento operacional para evitar perdas de margem ao longo da safra. No entanto, em entrevista ao Notícias Agrícolas, o analista de mercado e diretor da Agrinvest Commodities, Marcos Araújo, afirma que o atual momento é de bons negócios para o produtor do Brasil. 

São referências ainda fortes na casa dos R$ 160,00 para a soja disponível e R$ 150,00 para a temporada nova, base porto, dando margens melhores e um fôlego importante no retorno financeiro ao sojicultor brasileiro. 

"O produtor precisa estar muito atento aos momentos de pico cambial e repique em Chicago, pois são essas janelas pontuais que garantem médias remuneradoras para fechar a conta da safra", destacou o especialista.

Outro ponto nevrálgico debatido envolve o comportamento dos prêmios de exportação nos principais terminais portuários do Brasil, como Santos e Paranaguá. Após períodos de forte compressão, os prêmios começam a demonstrar sinais de acomodação, acompanhando o fluxo de escoamento e a disponibilidade de produto nos armazéns e na malha logística.

O ritmo de venda por parte dos agricultores tem se mostrado compassado. Diante de margens mais apertadas em comparação aos anos anteriores, muitos produtores optam por reter parte dos lotes à espera de repiques nas cotações, cobrindo apenas os custos operacionais mais imediatos para cumprir compromissos financeiros e contratos de barter. Ainda assim, o ritmo de negócios no último mês é consideravelmente melhor do que nos anteriores. 

O cenário exige disciplina financeira e acompanhamento diário das variáveis macroeconômicas. Em um ciclo onde os custos de produção se mantêm elevados, a eficiência comercial torna-se tão determinante para o sucesso do produtor quanto os índices de produtividade obtidos dentro da porteira.

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