Demanda chinesa sustenta altas de 2,6% para a soja em Chicago, mas clima permanece em foco
![]()
A segunda-feira (22) terminou com a soja subindo mais de 30 pontos entre os contratos mais negociados na Bolsa de Chicago, dando continuidade ao forte movimento de avanço registrado no final da semana passada. E os ganhos se deram, como explicou o analista de mercado Eduardo Vanin, da Agrinvest Commodities, mesmo com um clima mais bebéfico nos EUA.
"Os mapas dp modelo europeu tem acertado, com mais chuvas, temperaturas mais amenas, e mesmo assim a soja tem subido", diz. "E o principal ponto são sinais de que a demanda vai dar uma esquentada, a demanda chinesa por soja", complementa. Na análise de Vanin estão o aumento da produção de rações, melhora expressiva das margens da suinocultura e perspectivas melhores, portanto, das compras da nação asiática não só nos EUA, mas também no Braisl e na Argentina.
Neste momento, a oleaginosa americana se mostra mais competitiva - o que contribui ainda mais para a busca da China por soja nos EUA - para a janela de setembro a dezembro, cerca de 40 centavos de dólar por bushel, o que pode continuar estimulando o programa americano de exportação.
Assim, para o analista, ao menos até o relatório de setembro do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o clima no Meio-Oeste americano será determinante para o caminhar das cotações, quando aos poucos os traders começarão a dar mais espaço às informações de demanda, em especial se o apetite da China de fato se confirmar maior.
MERCADO BRASILEIRO
Com as altas fortes em Chicago e o dólar estável, o movimento foi positivo também para o produtor brasileiro, segundo explica Vanin. "A grande questão é se essa tendência vai continuar", diz. A moeda americana terminou o dia com R$ 5,17 e baixa de 0,03%.
Assim, no mercado brasileiro, as altas entre as principais praças de comercialização subiram até 1,95%, como foi o caso de Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, levando a saca a R$ 157,00. Em Maracaju, no Mato Grosso do Sul, a disparada foi de 3,01% para R$ 171,00 e em Campo Grande, de 3,64%, para também voltar aos R$ 171,00 por saca no físico.
Nos portos, as referências subiram mais de 0,5% em Rio Grande e Paranaguá, voltando a operar acima dos R$ 190,00 por saca.
Para o produtor brasileiro, o analista afirma que para a sequência dos novos negócios se dá também com atenções redobradas sobre o clima também na América do Sul para o início da nova safra, inclusive com a possibilidade de mais um ano de La Niña.
"Se o clima for bem e o Brasil tiver um aumento de área como está sendo estimado, teremos uma safra muito grande e um programa de exportação grande também. Aí, a soja brasileira concorre com a americana no ano que vem, inclusive no programa americano - que é de setembro a janeiro. E se o Brasil tiver um grande programa, podemos ter pressão no prêmio e pressão em Chicago. O produtor tem que ficar muito atento a este início de plantio e clima aqui na América do Sul", detalha o Eduardo Vanin.
0 comentário
Soja/Cepea: Demanda firme leva Indicadores aos maiores patamares desde abril/23
Soja abre a semana com estabilidade em Chicago; pressão do Pro Farmer, mas suporte do milho e da China
Preços da soja no Brasil renovam máximas após semana com quase 4% de alta acumulada em Chicago
China aumenta compras de soja dos EUA em meio a temor de safra menor e preços mais altos
Soja recua em Chicago nesta 6ª feira (21) com realização de lucros, após semana de sequência de altas
Nova safra de soja do Brasil pode cair "um pouco" com El Niño, diz executivo da Cofco