Surpresa no relatório de área plantada eleva preços de soja e milho em Chicago. Foco se volta para boletim de oferta e demanda
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Entrevista com Eduardo Vanin - Analista de Mercado da Agrinvest sobre o Fechamento de Mercado da Soja
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O mercado da soja recebeu bem os números do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) nesta terça-feira (30) e encerrou o dia com altas de quase 20 pontos nos principais contratos. "O relatório surpreendeu, principalmente para o milho, o que trouxe uma combinação explosiva, e acabou puxando a soja também", explica Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.
Os preços terminaram o dia com ganhos entre 17,75 e 20,75 pontos, levando o julho a US$ 8,84 e o novembro a US$ 8,82 por bushel, com as cotações registrando uma reação tão intensa como há semanas não se via na CBOT.
NÚMEROS DO USDA - ÁREA DE PLANTIO
A área de soja foi reportada em 33,91 milhões de hectares (83,8 milhões de acres), 10% maior do que na safra 2019/20. A média esperada pelo mercado era de 34,3 milhões de hectares, em um intervalo de 34,12 a 34,64 milhões. Em março, o estimado pelo USDA foi de 33,8 milhões. A área com soja deverá ser maior ou ficar inalterada em relação ao ano passado em 24 dos 29 estados que a cultivam.
Sobre o milho, o departamento trouxe a área plantada em 37,23 milhões de hectares (92 milhões de acres), ou seja, 3% maior do que na temporada anterior. As projeções dos traders variavam entre 38,04 a 38,85 milhões de hectares, com média de 38,53 milhões. Dos 48 estados produtores de milho, 28 deverão aumentar ou manter sua área de cultivo.
MERCADO EM CHICAGO
Ainda como explica Vanin, apesar dessa reação positiva e forte dos preços neste pregão, o mercado ainda pode sentir alguma pressão diante das boas condições de clima em que se desenvolve a nova safra de grãos dos EUA. Apesar da área estimada nesta terça estar perto do esperado pelo mercado, a produtividade poderia surpreender e compensar.
"Aos poucos será precificado a entrada da safra americana, que pode ser maior do que hoje os números apontam", diz o analista. Já para os estoques finais da nova temporada, os estoques finais poderiam ficar abaixo das 11 milhões de toneladas e ajudar no balanceamento do mercado.
Em contrapartida, Vanin explica também que em seus próximos relatórios mensais, o USDA ainda poderia revisar para baixo a demanda pela soja norte-americana, com as exportações da nova temporada atualmente estimadas em 56 milhões de toneladas. E esse volume não deverá ser alcançado com a competitividade do Brasil carregando ainda boas perspectivas para o próximo ano.
"A área deve crescer (no Brasil) e, imaginando um clima normal, uma safra potencial de 128 a 130 milhões de toneladas, e o Brasil seria imbatível em termos de preços comparado aos EUA a partir de março para frente (...) Não é uma preferência (pela soja brasileira), mas o apetite da venda do produtor. Enquanto o americano não está vendendo, o Brasil vende e vai preenchendo esse canal de exportação", explica o analista da Agrinvest.
MERCADO BRASILEIRO
No Brasil, as cotações nos portos também subiram, acompanhando as altas em Chicago e do dólar, que encerrou o dia com ganho de 0,27% e valendo R$ 5,44. Em Paranaguá, a soja disponível fechou com R$ 114,50, subindo 1,33%, enquanto o fevereiro/21 ficou em R$ 108,50 e alta de 1,40%. Em Rio Grande, R$ 114,00 e R$ 107,00, respectivamente, subindo 1,79% e 1,90%.
No interior, os preços seguem fortes, acima da paridade de exportação em diversos pontos do país, porém, nesta terça-feira as altas - que chegaram a superar os 2% - foram pontuais.
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