Estoques em alta, indefinições sobre a liberação de crédito para próxima safra, além da alta nos juros, aumentam as incertezas no mercado da soja
O estoque final brasileiro de soja deverá ser de 7,36 milhões de toneladas de soja em grãos, esse é o maior estoque de passagem praticado nos últimos 10 anos, foi o que divulgou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu último relatório de acompanhamento da safra de grãos 2014/15.
Com os estoques em alta, a perspectiva de safras cheias e a relação de estoque/consumo também elevada, a conjuntura se projeta para queda de preços, considera o diretor Executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Rosa. Segundo ele, o cenário se sustenta no momento pelas condições do clima nos Estados Unidos, que tem prejudicado os trabalhos de campo, e consequentemente, atrasado o plantio da soja no país.
"Além disso, também temos um diagnostico muito ruim do ponto de vista do crédito. Nós sabemos que o pré-custeio não rodou, o produtor acabou perdendo uma janela de oportunidade de compra dos insumos, e também para a próxima safra os bancos já deveriam estar recebendo as propostas, que foi um acordo entre o Ministério da Agricultura e os bancos, mas nós sabemos que as agências não estão cientes", declara com preocupação Rosa.
Nesta temporada estima-se um aumento de 20% a 30% nos custos com crédito, além de maior oneração na compra dos insumos. Com isso, "nós não recomendamos investimentos, abertura de área, a não ser que o produtor esteja capitalizado e programado para esse troca de maquinas ou investimento", recomenda o diretor que lembra também que é indispensável à realização da adubação mínima para reduzir custos.
O dólar em alta será o fator positivo na composição dos preços, os produtores devem ficar atentos à variação do câmbio, pois uma desvalorização de mais de 20% no dólar poderá deixar a margem da maioria dos produtores do Centro-Oeste negativa, haja vista os custos com logística.
Outro problema enfrentado pelos produtores, e a intensificação da resistência da ferrugem asiática aos produtos existentes no mercado. Essa dificuldade em combater a doença, acaba gerando mais custos ao produtor, que em anos como esse precisam planejar com cautela sua produção.
Esses assuntos foram discutidos durante a Reunião da Câmara Setorial da Soja, realizada dentro do VII Congresso Brasileiro da Soja, que acontece dos dias 22 a 25 de junho em Florianópolis, Santa Catarina.
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