Retirada da taxação da importação de insumos de fora do Mercosul deve ser para regular preços internos, diz presidente da APCS

A possibilidade da retirada temporária da taxação da importação de milho, soja e arroz pelo Brasil de países de fora do Mercosul, veiculada pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, César Halum, é vista com compreensão pelo presidente da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS), Valdomiro Ferreira. Na opinião do líder em suinocultura, a medida deve servir mais como uma forma de criar um teto de preços para estes insumos.
Ferreira diz que é a favor do livre mercado, mas que acha oportuna a participação do Governo federal para frear momentaneamente os preços destes insumos.
"Os preços destes produtos estão com valores muito altos e que pressionam o setor de produção de peroteína animal. Aguardamos se essa decisão será aprovada, e a partir daí, o mercado deve falar por si".
Para ele, se a decisão for aceita pelo Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior, seria necessário colocar as contas na ponta do lápis para avaliar a viabilidade das importações. Ferreira cita os Estados Unidos como um mercado "interessante", e que pode ajudar no abastecimento.
"Será preciso avaliar a questão cambial, preço no porto, e de onde poderia ser trazido. Segundo uma estimativa, talvez teríamos um déficit de um milhão de toneladas para entrar no mercado mundial. Paralelo a isso, não podemos esquecer que os chineses são grandes compradores, e com o Brasil entrando comprando, não temos certeza se o preço internacional será maior ou menor que os preços internos".
Em relação aos preços no mercado interno, o líder da APCS explica que vai chegar um momento em que o preço do milho e do farelo de soja terão que se ajustar aos da produção de preoteína animal. Ele acredita que em âmbito doméstico, os preços das carnes estejam chegando próximo a um teto, e que em algum momento será complicado adquirir estes insumos.
"A partir do momento em que o produtor de milho e farelo de soja perceber que o suinocultor e o avicultor já não têm mais capacidade de comprar estes insumos nos preços em que eles oferecem, o próprio mercado vai se ajustar por conta prórpia. Trazer de fora, talvez numa teoria do mercado livre, seja mais uma opção".
Ferreira cita a insegurança de não haver volume suficiente de milho e farelo de soja para a produção de proteína animal até o final do ano, ou na primeira quinzena de janeiro. Por outro lado, a logística para trazer os produtos de países mais distantes pode não ser tão viável, devido à demora no transporte e a urgência da necessidade interna.
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