Calor de até 40°C e falta de chuva acendem alerta no Norte do Brasil

Publicado em 17/06/2026 12:02 e atualizado em 17/06/2026 12:37
Estael Sias
Influência do El Niño reduz as precipitações, eleva as temperaturas e aumenta a preocupação com rios, queimadas e atividades no campo.

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A influência do El Niño começa a se refletir de forma mais intensa sobre o Norte do Brasil. A redução das chuvas, o avanço do calor e a preocupação com o nível dos rios já acendem um sinal de alerta para produtores rurais, comunidades ribeirinhas e setores que dependem da disponibilidade de água na região.

Segundo a meteorologista Estael Sias, a tendência para os próximos dias é de precipitações cada vez mais limitadas em grande parte dos estados nortistas. O cenário ocorre justamente em uma época em que a estação seca passa a ganhar força, favorecendo períodos mais longos sem chuva e temperaturas elevadas.

“O Norte do Brasil também é uma região que tem um impacto importante do El Niño. Já há toda uma mobilização e uma preocupação com relação ao nível dos rios, que no último El Niño tiveram recordes de menor nível em alguns mananciais”, afirmou a especialista. Ela destaca que os efeitos não atingem apenas o abastecimento de água, mas também o transporte e as atividades econômicas que dependem dos cursos fluviais.

Chuva perde força em áreas que lideravam os acumulados do país

Nas últimas semanas, a Região Norte ainda concentrava alguns dos maiores volumes de chuva do Brasil devido à atuação da Zona de Convergência Intertropical. Agora, porém, esse padrão começa a mudar, com precipitações mais irregulares e acumulados cada vez menores.

De acordo com Estael, algumas pancadas ainda ocorrem no Amapá, em áreas do Pará e no oeste do Amazonas, mas os volumes previstos já estão muito abaixo do que normalmente era observado durante os meses mais úmidos do ano.

“Hoje a gente vê o Amapá com algumas pancadas de chuva, grande parte do Pará também e o oeste do Amazonas com algumas pancadas de 10 a 15 milímetros. Para amanhã, a chuva aparece um pouco mais espalhada na parte mais ao norte, mas com volumes bastante reduzidos”, explicou.

Predomínio do ar seco deve marcar os próximos dias

As projeções meteorológicas indicam uma sequência de dias com pouca chuva em uma extensa faixa da região. Estados como Tocantins, Pará, Rondônia e Acre devem registrar precipitações escassas entre o fim desta semana e o início da próxima.

Mesmo quando ocorrerem pancadas isoladas, a tendência é que elas tenham distribuição limitada e não sejam suficientes para alterar o quadro predominante. A expectativa é de que o ar seco passe a exercer influência crescente sobre grande parte do Norte brasileiro.

“Sexta-feira, sábado, domingo, segunda e terça-feira terão poucas ocorrências de chuva. A tendência é do domínio do ar seco e de períodos cada vez mais prolongados de escassez de precipitação”, ressaltou a meteorologista.

Tocantins registra as temperaturas mais elevadas do país

Além da diminuição das chuvas, o calor intenso se torna outro fator de preocupação. O Tocantins vem liderando os registros de temperatura no Brasil, reflexo direto da ausência de sistemas capazes de promover precipitações mais abrangentes.

Conforme Estael Sias, diversos municípios tocantinenses já registram máximas entre 36°C e 38°C, com algumas localidades se aproximando dos 40°C. Entre as áreas citadas estão Formoso do Araguaia, Peixe, Porto Nacional, Alvorada e a região de Palmas.

“O Tocantins tem registrado as maiores temperaturas do país, com marcas de 36, 38 graus e alguns pontos chegando perto dos 40 graus. Esse cenário não muda justamente porque a chuva não vem para a área”, destacou.

Para o setor agropecuário, temperaturas persistentemente elevadas exigem atenção redobrada ao manejo das propriedades. O calor acelera a perda de umidade do solo e reforça os efeitos do período seco que começa a se consolidar em várias áreas da região.

Risco de queimadas aumenta com a combinação de calor e baixa umidade

A persistência do tempo seco também favorece condições mais propícias para queimadas e incêndios. O avanço da estação seca costuma elevar esse risco, especialmente em áreas onde a vegetação perde umidade de forma mais acelerada.

Segundo a especialista, o padrão observado atualmente no Tocantins tende a avançar para outras áreas do Norte nas próximas semanas. Entre as regiões que devem sentir esse comportamento estão o sul do Pará, partes de Rondônia, Acre e o centro-sul do Amazonas.

“A temperatura sobe e favorece aquelas ocorrências de queimadas e incêndios. Algumas ações são necessárias para limpeza das áreas, mas nesse cenário de baixa umidade e calor intenso isso acaba sendo um risco também”, alertou.

Santarém e Manaus já percebem a mudança de padrão

Municípios tradicionalmente associados à presença frequente de chuva também começam a sentir a transição para um período mais seco. Em Santarém, no Pará, ainda podem ocorrer precipitações isoladas entre hoje e amanhã, mas os acumulados previstos são baixos.

“Passa a dominar a escassez de chuva lá em Santarém”, observou Estael. A meteorologista destaca que a presença de nuvens não significa necessariamente volumes expressivos, reforçando a mudança de comportamento da atmosfera sobre a região.

Em Manaus, ainda há possibilidade de pancadas esparsas e até mesmo algum temporal isolado entre hoje e amanhã. Depois disso, a tendência é de redução significativa das precipitações até o início da próxima semana.

O avanço da estação seca já começa a desenhar o cenário climático que deve predominar nos próximos meses no Norte do país. Com menos chuva, calor persistente, rios sob monitoramento e maior risco de queimadas, produtores rurais terão de acompanhar de perto a evolução das condições meteorológicas para planejar suas atividades em um período que promete desafios crescentes para a região.

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Por:
Michelle Jardim
Fonte:
Notícias Agrícolas

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