Café sobe 40% na Bolsa de Nova Iorque desde o fim de junho e cafeicultor mira preços de R$ 2100/saca

Orientação é de que cafeicultores sigam focados em garantir médias, aproveitando as oportunidades que o mercado oferece, mas sem tirar a atenção dos desafios climáticos, em especial o El Niño.
Publicado em 25/08/2026 10:59
Heberson Sastre - Gerente da Mesa de Operações da Minasul
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Café sobe 40% na Bolsa de Nova Iorque desde o fim de junho e cafeicultor mira preços de R$ 2100/saca}

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O mercado de café registra um cenário de alta volatilidade e forte valorização internacional. Desde o final de junho, os contratos futuros do café arábica negociados na Bolsa de Nova Iorque acumulam ganhos superiores a 40%, impulsionando o mercado físico brasileiro e elevando as expectativas de comercialização para os produtores.

Durante entrevista ao Notícias Agrícolas nesta terça-feira (25), Heberson Sastre, gerente da mesa de operações da Minasul e analista de mercado, destacou que o mercado físico acompanha essa movimentação de perto. Na praça de Varginha (MG), lotes de café fino foram negociados entre R$ 1.900 e R$ 1.950 por saca. 

Apesar dessa valorização, porém, muitos produtores já reposicionaram  suas metas de venda na faixa de R$ 2.000 a R$ 2.100 por saca. 
"Temos um produtor atento e preocupado com o que vem pela frente. Essas chuvas diminuiu a oferta de cafés finos e o mundo todo busca café fino aqui no Brasil. Então, a bolsa anda na frente e o físico vai, em cima de muitas variáveis, se adequando ao preço de Nova Iorque. O produtor está vendendo e participando do mercado devagar, cauteloso e preocupado com o clima, principalmente agora", afirma Sastre. "E eu creio que esta é a postura correta para eles".

No Sul de Minas, a colheita avança para a reta final, alcançando entre 70% e 80% do volume total realizado (incluindo a varreção). Segundo o especialista, embora a quantidade colhida esteja em linha com as projeções, o perfil de qualidade sofreu alterações: há uma redução de 10% a 15% na proporção de cafés finos em relação aos cafés médios, reflexo direto das chuvas registradas durante o período de colheita que restringiram a oferta de bebida fina.

Assim, a disparada das cotações é sustentada por múltiplos fatores fundamentais e macroeconômicos. Entre ele estão os estoques enxutos e a demanda global, ainda bastante presente. O mercado internacional apresenta estoques reduzidos de cafés finos, gerando forte demanda por reposição. O consumo mundial segue resiliente e em expansão, com destaque para o crescimento contínuo do mercado chinês.

As incertezas climáticas associadas aos impactos do El Niño nas próximas etapas de florada e granação — tanto no Brasil quanto em concorrentes globais como Colômbia e Vietnã — mantêm os operadores atentos a eventuais riscos de oferta para os próximos ciclos.

Na outra ponta, a forte atuação de fundos de investimento que buscam commodities como proteção contra a inflação e incertezas geopolíticas globais tem dado suporte às altas recorrentes nas bolsas internacionais.

GESTÃO DE RISCO E ESTRATÉGIA DE COMERCIALIZAÇÃO

Diante do cenário de alta volatilidade e de oscilações diárias expressivas, a recomendação central para os cafeicultores é a adoção de estratégias de vendas escalonadas, fazendo médias. A prática de comercializar em etapas permite capturar as oportunidades de preços elevados — como os patamares testados recentemente — sem o risco de tentar acertar o topo absoluto do mercado, garantindo margens positivas e maior previsibilidade financeira para a atividade.

Para conferir todos os detalhes e a entrevista completa com a análise de mercado, acesse o vídeo acima.

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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