Mercado da soja começa semana de olho no clima, na logística e relação oferta x demanda, principalmente China e EUA
Mercado da soja começa semana de olho no clima, na logística e relação oferta x demanda, principalmente China e EUA
A semana no mercado de soja começa sob influência direta de três pilares: o comportamento do clima, os desafios logísticos globais e a dinâmica da relação oferta e demanda mundial. Em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, no Notícias Agrícolas, o analista de mercado da Agrinvest Commodities e e da Marex, Eduardo Vanin, ressaltou que, embora o foco recaia frequentemente sobre a produção, as condições logísticas globais ainda não foram plenamente precificadas pelo mercado e representam um risco crescente para os próximos meses.
O GARGALO LOGÍSTICO GLOBAL
Vanin destacou que a navegabilidade em rios estratégicos nos Estados Unidos, como o Mississippi, e a situação no rio Madeira, no Brasil, somada aos conflitos persistentes na região do Mar Negro, impõem desafios complexos à movimentação de commodities. "O mercado ainda não precificou corretamente os problemas logísticos que enfrentamos", afirmou o analista.
No Mar Negro, o agravamento dos conflitos afeta diretamente a disponibilidade de trigo, milho e óleos vegetais. Com a necessidade de rotas alternativas e o aumento dos seguros de guerra — que subiram de patamares próximos de zero para cerca de 2% do valor da embarcação —, os custos de frete e logística tendem a permanecer pressionados, impactando o bolso do produtor.
DINÂMICA CHINA x EUA
Sobre a China, Vanin explica que o ritmo de compras por parte dos importadores chineses entre julho e agosto está abaixo do observado em anos anteriores. No entanto, o cenário aponta para uma maior dependência da soja americana a partir de agora. "A soja brasileira está ficando cara e o ritmo de farmer selling no Brasil não está atendendo a demanda interna e externa na velocidade esperada", disse.
O analista estima que as compras chinesas no mercado norte-americano podem superar os 25 milhões de toneladas, como o acordado entre os dois países há alguns meses, um movimento que seria visto pelo mercado como uma surpresa altista e, portanto, positivo para as cotações em Chicago, caso o Brasil não consiga atender plenamente os demais compradores globais que precisam cobrir suas necessidades para o quarto trimestre do ano.
ORIENTAÇÃO AO PRODUTOR BRASILEIRO
Diante de um cenário onde os prêmios de exportação no Brasil seguem fortalecidos, Vanin defende que o produtor deve manter uma postura observadora, baseada em dados reais e que revisitem suas estratégias comerciais diante do atual cenário. O foco, segundo ele, deve ser o estudo aprofundado dos fundamentos de oferta e demanda, evitando decisões precipitadas baseadas na volatilidade momentânea do mercado.
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