Perspectivas para a comercialização da nova safra de café são boas, apesar de volatilidade que deve continuar

Cafeicultor brasileiro vai enfrentar, além das bolsas voláteis, logística afetada pela geopolítica global conturbada, câmbio também volátil, mas demanda ainda muito forte e presente.
Publicado em 05/08/2026 10:52 e atualizado em 05/08/2026 15:50
Haroldo Bonfá - Analista de Mercado e Diretor da Pharos Consultoria

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O Brasil caminha para encerrar a colheita da nova temporada sob um cenário de intensa volatilidade dos mercados - principalmente os internacionais -, mas com perspectivas encorajadoras para a comercialização. Em entrevista  ao Bom Dia Agronegócio, no Notícias Agrícolas, o diretor da Pharos Consultoria, Haroldo Bonfá, analisou os principais fatores que moldam os negócios para o setor cafeeiro, destacando que o comportamento dos preços surpreendeu positivamente a cadeia produtiva. Segundo o especialista, as perspectivas são bastante promissoras, apesar de muitos desafios que se acumulam para a cafeicultura não só nacional, mas global. 

PREÇOS FIRMES E O FATOR QUALIDADE

No início do ciclo, a expectativa de uma safra expressiva — estimada acima de 70 milhões de sacas — levava o mercado a projetar cotações inferiores aos patamares de 2025, gerando cautela e retração por parte dos importadores. Contudo, o cenário desenhou-se de outra forma: os preços mantiveram-se firmes e acima do ano anterior.

Um dos pilares que sustentam essas cotações é a questão qualitativa. Embora as peneiras se mostrem bem definidas e variando bastante entre as regiões, a qualidade da bebida apresenta comprometimentos em parte da produção, reflexo direto de intempéries climáticas como a seca no período anterior à colheita e as chuvas durante o recolhimento dos grãos. Adicionalmente, os estoques certificados estão ajustados. A participação do café brasileiro certificado recuou de 57% para cerca de 4%, 3%, com volumes disponíveis bastante reduzidos, o que restringe as opções para especuladores e compradores internacionais.

IMPACTOS DA GEOPOLÍTICA TURBULENTA NA LOGÍSTICA GLOBAL

O escoamento da safra também esbarra em gargalos logísticos complexos no comércio exterior. Tensões geopolíticas internacionais — como o conflito envolvendo Estados Unidos e Irã e os reflexos no Estreito de Ormuz e no Canal de Suez — afetam rotas marítimas globais, elevando custos e forçando desvios logísticos de concorrentes como o Vietnã.

Apesar desse ambiente desafiador e repleto de incertezas macroeconômicas, o Brasil projeta um programa robusto de exportações para a nova temporada, estimado em cerca de 48 milhões de sacas, impulsionado pela necessidade de suprir a demanda global por novas origens.

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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