HOME VÍDEOS NOTÍCIAS METEOROLOGIA FOTOS

Atraso na emergência da soja, por dia, custa de 10 a 12 scs/ha, alerta especialista no início da safra 26/27

Plantio deverá ser feito com ainda mais cuidado e planejamento diante das ameaças climáticas, evitando perda de investimento, de potencial produtivo em ano de uma safra completamente desafiadora em todas as regiões do Braisl.
Publicado em 26/08/2026 10:52 | Atualizado em 26/08/2026 13:39
Rogério Coimbra
Logotipo Notícias Agrícolas
Podcast

Produtor deixa de colher de 10 a 12 scs/ha de soja a cada dia de atraso na emergência de plântula

Com o fim do vazio sanitário e o início dos preparativos para o plantio da safra de soja 2026/27, os produtores brasileiros voltam suas atenções para os desafios tecnológicos e climáticos que marcam este ciclo. Em entrevista ao Notícias Agrícolas, o professor da na UFMT-Sinop, Rogério Coimbra, destacou que um dos pontos mais críticos para a rentabilidade da lavoura é a atenção redobrada à fase inicial de implantação e à qualidade das sementes.

Coimbra apresentou dados consolidados de pesquisas de campo plurianuais que mensuram o impacto direto do estresse inicial nas lavouras de soja. Segundo o levantamento, cada dia de atraso na emergência das plântulas resulta em uma perda de produtividade que varia de 10 a 12 sacas por hectare.

"A semente é um ser vivo e, mesmo com alta germinação e vigor, quando exposta a condições extremas e temperaturas muito altas, ela perde qualidade, gerando falhas de estande ou atraso na emergência, o que impacta diretamente o teto produtivo", pontua o professor.

O avanço do plantio ocorre sob a influência das ameaças do fenômeno El Niño, que traz como característica marcante temperaturas mais elevadas e uma distribuição irregular das chuvas — o que os produtores do interior do Mato Grosso costumam chamar de "chuvas de manga" (precipitações volumosas e localizadas seguidas de veranicos) - e, por isso, a atenção precisa ser redobrada para o planejamento dos trabalhos de campo.

O especialista lembra que, em anos de forte calor e veranicos associados ao El Niño, o risco de perdas e a necessidade de replantio aumentam. Na safra 2023/24, por exemplo, o Mato Grosso registrou cerca de 8% de áreas com essa necessidade. Para o ciclo atual, a recomendação é cautela e planejamento para mitigar esses impactos financeiros imediatos, que além da semente geram gastos extras com óleo diesel, adubos e novas operações de semeadura.


Diante do cenário desafiador, Coimbra reforça diretrizes fundamentais para assegurar o sucesso no estabelecimento da lavoura. Entre elas estão o investimento na base, evitando a economia na compra de sementes de alta qualidade e em um tratamento industrial ou on-farm rigoroso; controle com precisão da profundidade de semeadura e o espaçamento para otimizar o aproveitamento da água no solo; .evitar concentrar todo o plantio em uma única data ou utilizar uma única cultivar. "Não colocar todos os ovos numa única cesta". A diversificação de ciclos e materiais genéticos reduz os riscos climáticos ao longo do período de desenvolvimento.

Ademais, a recomendação central é paciêcnia. Aguardar a garantia de umidade adequada no perfil do solo antes de avançar com as plantadeiras, mesmo diante da ansiedade gerada pelo fim do vazio sanitário, será fundamental para a garantia de bons resultados.

Apesar das restrições financeiras e do arrocho nas margens de custos relatados em várias regiões, o produtor rural brasileiro mantém sua característica de alta resiliência, ainda como acredita o professor Coimbra. A expectativa é de que a área plantada com soja no Brasil, segundo sua avaliação, mantenha uma trajetória de estabilidade com leve viés de alta, amparada por ganhos constantes em tecnificação, renovação de máquinas e melhoria genética.

"O Brasil passou da fase de aprender a fazer para o nível de desenvolver e exportar tecnologias. Hoje, o foco não é apenas o volume de produtividade, mas a excelência e a qualidade da matéria-prima que entregamos ao mercado interno e global", concluiu Coimbra.

Para acompanhar a entrevista completa é só conferir o vídeo acima. 

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio

0 comentário