Soja: MAP e KCL ainda criam boas oportunidades de troca para produtor brasileiro. Dólar mais baixo contribui

Cloreto de potássio tem ligeira alta nos últimos dias, mas ainda bem abaixo do registrado em 2019. Nos fosfatados, valores estão estáveis e tendem a permanecer assim no curto prazo. Fretes de retorno também favorecem momento para troca.
Publicado em 28/05/2020 11:46 e atualizado em 28/05/2020 16:33
Alessandro Rabello - Consultor de Fertilizantes da AMR Business Inteligence

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Entrevista com Alessandro Rabello - Consultor de Fertilizantes sobre os Fertilizantes

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A queda recente do dólar - principalmente nas última seis sessões - impactou diretamente o mercado de fertilizantes nos mercados nacional e internacional. Assim, o momento ainda é interessante e traz boas oportunidades para os produtores brasileiros para operações de troca para a safra 2020/21 e até mesmo para a safra 2021/22, segundo Alessandro Rabello, consultor de fertilizantes da AMR Business Inteligence em entrevista ao Notícias Agrícolas.

Sobre o cloreto, Rabello explica que há uma demanda menor em outros países consumidores como Malásia, Indonésia e até mesmo a China - onde os estoques estão bastante elevados - o que faz com que o avanço dos preços seja mais limitado. Todavia, o fluxo maior de negócios acontece no Brasil, dado justamente a estas boas oportunidades que são criadas para o sojicultor nacional. 

"O cloreto de potássio bateu mínima histórica este ano e as relações de troca para o Brasil, portanto, são muito boas, apesar do câmbio alto. Mas agora os preços estão subindo aqui no Brasil e correm o risco de ficarem acima do mercado internacional a depender da demanda que vem do campo. Já há muita venda feita para a safra 2020/21, e já tem muito produtor começando a comprar para a safra 2021/22", explica o consultor. 

Desde o último dia 20 de abril, o preço da saca de soja base porto de Paranguá, no indicador Cepea, já apresenta uma melhora de US$ 0,90 e "isso representa na tonelada do cloreto com a relação de troca, meia saca a menos", diz Rabello. E assim, o mercado está bem mais adiantado do que em anos anteriores, o que motiva, portanto, essa tendência de preços mais firmes no Brasil.

As médias de valores da tonelada de cloreto de potássio têm variado entre US$ 215,00 e US$ 225,00, e o intervalo passando a US$ 230,00 a US$ 235,00, podendo chegar a até US$ 240,00 nos meses mais a frente. 

Para os fosfatados, as condições são semelhantes, mas os preços estão mais estáveis. A demanda internacional é menor agora, e a média de preços é de algo entre, como relata o consultor, tem estado entre US$ 300,00 e US$ 305,00 por tonelada do MAP. 

"Localmente estamos bem, e em termos globais o suprimento está bom. Assim, o mercado está bem equilibrado e não vejo, entre os fosfatados, nenhuma notícia no curto prazo que possa provocar uma guinada nos preços", diz Rabello. 

Com tudo isso, ele afirm ainda que a orientação para os produtores brasileiros continuem fazendo suas contas, encontrando ainda bons momentos e oportunidades logísticas, seguindo a aproveitar o bom cenário para as relações de troca. 

"É aproveitar câmbio, verificar as melhores rotas, os fretes de retorno, ainda estamos com o corredor de exportações aberto, há muito volume de grão sendo levado para os portos e isso dá um retorno muito bom para o fertilizante", conclui o consultor.

FCStone vê entrega recorde de fertilizante no Brasil em 2020, mas reduz projeção

SÃO PAULO (Reuters) - As entregas de fertilizantes aos agricultores do Brasil foram estimadas nesta quinta-feira em patamar recorde de 36,6 milhões de toneladas em 2020, alta de 1% ante 2019, com o setor de grãos impulsionando as aplicações, estimou a consultoria INTL FCStone.

Contudo, a FCStone reduziu previsão de entregas ao consumidor final do Brasil em 300 mil t na comparação com a estimativa inicial, citando uma situação menos favorável a produtores de algodão e cana, mais impactados que os produtores de grãos pela crise do coronavírus.

"Apesar de não impactar diretamente o mercado de adubos internacional, a pandemia do novo coronavírus instaurou um quadro de incerteza a nível mundial, influenciando as perspectivas de crescimento econômico de importantes consumidores do complexo NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) e insumos", disse.

A paralisação das atividades não essenciais, adotadas por diversos governos na tentativa de conter a disseminação da Covid-19, pode impactar setores nos quais as cotações permanecem em patamares mais baixos e menos rentáveis.

"Neste sentido, o nível de investimentos em fertilizantes por setores com custos de produção mais acentuados, como o cotonicultor e o sucroenergético, pode ser impactado, resultante da atual conjuntura dos preços internacionais das commodities e adubos mais onerosos no mercado interno."

No que tange o setor de açúcar e etanol, especificamente, as recentes quedas nos preços internacionais do açúcar foram parcialmente compensadas pela forte apreciação do dólar frente ao real.

"Contudo, a receita das usinas sofre com a dinâmica do mercado de etanol, marcada por demanda arrefecida e preços baixos", acrescentou a consultoria.

A FCStone destacou ainda que a taxa de câmbio brasileira atualmente impede que a queda das cotações internacionais do complexo NPK seja repassada completamente para o âmbito doméstico, "chegando a alterar a trajetória dos preços em semanas de desvalorização acentuada da moeda nacional".

O Brasil importa a maior parte do fertilizante consumido. Em 2019, as importações somaram 29,5 milhões de toneladas, crescimento de 7,3% ante 2018, segundo dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).

O consumo de fertilizantes no Brasil aumentou 2,1% em 2019 ante o ano anterior, segundo a Anda.

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte:
Notícias Agrícolas

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