Trigo recua em Chicago após forte alta, mas mercado segue atento à menor safra brasileira e à guerra no Mar Negro

Brasil pode registrar a menor produção desde 2020 e importar mais de 8 milhões de toneladas do cereal, enquanto conflito entre Rússia e Ucrânia mantém elevada a volatilidade no mercado internacional
Publicado em 23/07/2026 13:00

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Após a forte valorização registrada na sessão anterior, os contratos futuros do trigo operavam em queda nesta quinta-feira (23) na Bolsa de Chicago (CBOT), em um movimento de realização de lucros. Apesar do ajuste técnico, o mercado segue sustentado pelas preocupações com a oferta global, pela pior perspectiva para a safra brasileira e pela escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia.

Na CBOT, o contrato setembro/26 era cotado a US$ 6,99/bushel, com queda de 6,2 pontos, recuo de 0,89%. O dezembro/26 valia US$ 7,17/bushel, com baixa de 5,6 pontos, desvalorização de 0,77%. Já o março/27 era negociado a US$ 7,32/bushel, com perda de 5,6 pontos, queda de 0,76%.

No Brasil, a redução da safra continua sendo o principal fator de sustentação do mercado. As projeções mais recentes indicam uma produção potencial de apenas 5,855 milhões de toneladas, volume que pode levar o país a importar mais de 8 milhões de toneladas de trigo na temporada 2026/27, o maior volume já registrado para atender o consumo interno.

A retração da produção começou antes mesmo do plantio. Com margens apertadas, custos elevados, principalmente com fertilizantes nitrogenados, e preços pressionados pela ampla oferta internacional durante boa parte do ciclo anterior, muitos produtores reduziram os investimentos e optaram por diminuir a área destinada ao cereal. A área cultivada caiu cerca de 20%, para 1,905 milhão de hectares, enquanto a produção potencial recua 27,9% em comparação com a safra passada.

A redução ocorreu nos dois principais estados produtores. No Rio Grande do Sul, a área semeada diminuiu 28,6%, enquanto a produção pode recuar 33,3%. No Paraná, a área caiu 13,5% e a colheita é estimada 21,4% menor que na temporada anterior. Além disso, parte das lavouras em Minas Gerais e Goiás já enfrenta impactos da estiagem, mantendo o mercado atento ao desenvolvimento da safra.

No cenário internacional, a guerra entre Rússia e Ucrânia voltou a intensificar a volatilidade. Depois da forte alta de mais de 4% registrada na quarta-feira, impulsionada pelo recrudescimento do conflito, investidores seguem monitorando os impactos sobre as exportações pelo Mar Negro. Segundo Jonathan Pinheiro, analista de gestão de riscos da StoneX, os ataques entre os dois países aumentaram nas últimas semanas. A Ucrânia intensificou ofensivas contra embarcações russas no Mar de Azov, enquanto a Rússia respondeu atacando graneleiros próximos aos portos ucranianos no Mar Negro, justamente em um período de colheita, aumentando as preocupações com o fluxo mundial de trigo.

Com uma produção doméstica menor e maior dependência das importações, o mercado brasileiro permanece cada vez mais sensível às oscilações do câmbio, aos custos logísticos e à disponibilidade de trigo dos principais exportadores mundiais, cenário que deve continuar influenciando a formação dos preços nas próximas semanas.

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Por:
Priscila Alves I instagram: @priscilaalvestv
Fonte:
Notícias Agrícolas

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