Trigo despenca em Chicago com pressão da oferta global e mercado brasileiro segue atento ao risco de geadas
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Os contratos futuros do trigo encerraram esta quarta-feira (8) em forte baixa na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionados pelas perspectivas de ampla oferta global e pelo avanço das colheitas no Hemisfério Norte.
O contrato julho/26 fechou cotado a US$ 5,99 por bushel, com queda de 9,75 pontos. O setembro/26 encerrou a US$ 6,07 por bushel, recuando 10,75 pontos, enquanto o dezembro/26 terminou o dia a US$ 6,23 por bushel, com perda de 10,50 pontos.
No mercado brasileiro, o foco permanece voltado para o desenvolvimento da safra de inverno e para as condições climáticas no Sul do país. Com a chegada do inverno, a preocupação dos produtores aumenta diante do risco de geadas, especialmente nas áreas em estágios mais sensíveis da cultura.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo em 2026 está estimada em 6,38 milhões de toneladas, com área cultivada de aproximadamente 2,14 milhões de hectares. Em um cenário de redução da área plantada, eventuais perdas causadas pelo frio podem impactar tanto a produtividade quanto a qualidade dos grãos.
De acordo com o engenheiro agrônomo e especialista em fitossanidade Gustavo Rubim, a geada continua sendo um dos principais fatores de risco para a cultura, principalmente durante as fases de espigamento, florescimento e enchimento de grãos.
"A preparação para enfrentar eventos de frio intenso exige planejamento antecipado e manejo criterioso da lavoura. Mesmo em um inverno sob influência do El Niño, o produtor não deve descuidar do risco de geadas", afirma o especialista.
Rubim destaca que estratégias como o planejamento da época de semeadura, escolha de cultivares adaptadas, equilíbrio nutricional, uso de biológicos e monitoramento climático são fundamentais para reduzir os impactos de episódios de frio intenso. Segundo ele, fertilizantes foliares, bioestimulantes e microrganismos promotores de crescimento podem contribuir para aumentar a tolerância das plantas ao estresse térmico e acelerar a recuperação após eventos de geada.
Assim, enquanto Chicago foi pressionada pelo cenário internacional de maior oferta, o mercado brasileiro segue concentrado nas condições climáticas das próximas semanas, consideradas decisivas para o potencial produtivo da safra de trigo de 2026.
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