Inicia período recomendado de plantio de trigo no RS
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Com área ainda em definição, a semeadura do trigo iniciou de forma incipiente no Rio Grande do Sul, acompanhando a abertura do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para os principais materiais utilizados no Estado. De acordo com o Informativo Conjuntural divulgado pela Emater/RS-Ascar nesta quinta-feira (21/05), apesar do início do plantio, o cenário para a próxima safra segue marcado por elevada cautela dos produtores, como reflexo da combinação de custos de produção elevados, maior restrição ao crédito rural, limitações na cobertura securitária e perspectiva de maior risco climático em função da possível atuação de El Niño durante o inverno e a primavera.
Observa-se tendência de redução da área cultivada com trigo no RS, associada tanto à menor expectativa de rentabilidade quanto à substituição do trigo por outras alternativas de inverno, como canola, plantas de cobertura e sistemas com milho do cedo, seguido de soja safrinha. Também há indicativos de redução no nível tecnológico empregado, como aumento do uso de sementes próprias e menor demanda por sementes fiscalizadas.
A estimativa de área a ser cultivada na Safra 2026 está em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Na Safra 2025, o Rio Grande do Sul cultivou 1.166.163 hectares de trigo, com produtividade média de 2.968 kg/ha e produção de 3.458.083 toneladas, conforme o IBGE.
Aveia branca - A semeadura de aveia-branca avançou conforme a liberação das áreas anteriormente ocupadas por culturas de verão. Em algumas regiões, houve antecipação da semeadura em relação ao período preferencial indicado pelo Zarc, buscando adequar o calendário produtivo para possibilitar implantação mais precoce de soja nessas áreas, na próxima safra. A tendência é de manutenção da área cultivada em relação à safra passada, quando o Estado cultivou 393.135 hectares, com produtividade média de 2.394 kg/ha e produção total de 935.664 toneladas, conforme dados do IBGE. As lavouras já emergidas apresentam bom estabelecimento inicial, população uniforme e satisfatório desenvolvimento vegetativo.
Canola - A implantação de canola avança dentro da janela preferencial de semeadura. As lavouras implantadas estão em germinação, emergência e desenvolvimento vegetativo inicial. As áreas mais precoces ingressam no estágio de roseta, e é realizada a adubação nitrogenada em cobertura e o manejo de plantas daninhas. Observa-se tendência de expansão da área cultivada no Estado, impulsionada pela busca de alternativas economicamente mais atrativas em relação aos cereais de inverno tradicionais. A área cultivada no Estado segue em levantamento pela Emater/RS-Ascar. Em 2025, foram cultivados 174.394 hectares, com produtividade média de 1.653 kg/ha e produção total de 285.481 toneladas, conforme o IBGE.
Cevada - A cultura de cevada apresenta perspectiva de redução de área para a próxima safra, mesmo com a manutenção de oferta de contratos vinculados à indústria cervejeira. A cautela dos produtores está associada à possibilidade de atuação de El Niño durante o inverno e a primavera. A maior frequência de precipitações nesse período eleva o potencial de perdas qualitativas, em especial nas fases de enchimento de grãos, maturação e pré-colheita, comprometendo parâmetros exigidos para malteação, como calibre, sanidade e qualidade industrial do grão. Nas áreas previstas para cultivo, predominam operações de preparo do solo e manejo antecedendo a semeadura. A área cultivada em 2026 está em levantamento. Em 2025, a área plantada foi de 32.010 hectares, com produtividade média de 3.622 kg/ha.
CULTURAS DE VERÃO
Soja - A colheita está em finalização, alcançando 98% da área cultivada. A predominância de tempo seco e a redução da umidade dos grãos favoreceram o avanço das operações, proporcionando maior fluidez e reduzindo a incidência de descontos por umidade nas unidades de recebimento e beneficiamento. De forma geral, a safra apresentou elevada variabilidade de rendimento entre regiões e, até mesmo, dentro de um mesmo município, refletindo a influência da distribuição irregular das chuvas, das características edáficas, do posicionamento de cultivares e do nível tecnológico empregado. Em áreas submetidas a déficit hídrico mais intenso entre janeiro e fevereiro, especialmente em solos rasos ou arenosos, ocorreram perdas significativas e formação irregular de plantas.
As produtividades da soja variam de forma ampla no Estado, desde áreas abaixo de 1.000 kg/ha a lavouras superiores a 4.000 kg/ha, em especial nas cultivadas com variedades de ciclo intermediário e nas áreas irrigadas. Contudo, foram observadas diferenças expressivas de desempenho entre materiais genéticos submetidos ao mesmo manejo, evidenciando a importância da adaptação das cultivares aos ambientes de produção. A produtividade média estimada pela Emater/RS-Ascar está em 2.871 kg/ha, e a área cultivada em 6.624.988 hectares.
Milho - A colheita do milho foi favorecida pela predominância de tempo seco e alcançou 96% da área cultivada. Restam lavouras tardias em maturação fisiológica (3%) e algumas em enchimento de grãos (1%), correspondente a semeaduras realizadas no período final do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). Há desaceleração do desenvolvimento fisiológico das lavouras remanescentes em razão da redução das temperaturas e da menor disponibilidade de radiação solar nesta época do ano, o que prolonga o período de enchimento de grãos. A Emater/RS-Ascar estima a área cultivada em 803.019 hectares, e produtividade média estadual em 7.424 kg/ha.
Milho silagem - A colheita do milho destinado à silagem está em fase final, alcançando 97% da área cultivada. Restam áreas de segunda safra em maturação. O material obtido apresenta, em alguns casos, menor qualidade bromatológica devido à perda de área foliar e à dessecação precoce das plantas. Em áreas de cultivo tardio, o frio também acelerou o encerramento do ciclo, levando produtores a anteciparem a colheita para preservar o valor nutricional da forragem. A estimativa da Emater/RS-Ascar indica área de 345.299 hectares, e produtividade média de 37.840 kg/ha. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Erechim, a colheita atinge 97% da área cultivada, com produtividade média de 44.100 kg/ha de massa verde.
Feijão 2ª safra – A cultura de segunda safra apresentou avanço da colheita, favorecida pelas condições de tempo seco, predominantes no período. As lavouras remanescentes se encontram em maturação e enchimento de grãos, mantendo, de modo geral, bom estado fitossanitário e produtividade dentro das estimativas iniciais.
A qualidade dos grãos colhidos está satisfatória. A Emater/RS-Ascar projeta área de 11.690 hectares, e produtividade média de 1.401 kg/ha.
Arroz - A colheita do arroz se encontra tecnicamente concluída no Rio Grande do Sul, favorecida pela sequência de dias secos e pela boa condição de trafegabilidade nas áreas produtoras. Restam apenas áreas pontuais de lavouras tardias em fase final de colheita. De maneira geral, a safra confirmou elevados níveis de produtividade, apesar da redução de rendimento em algumas áreas implantadas fora da janela preferencial, ou impactadas por eventos climáticos ao longo do ciclo.
Segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), a área cultivada é de 891.908 hectares. A produtividade está projetada em 8.744 kg/ha, segundo a Emater/RS- Ascar.
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