Mercado brasileiro de trigo opera com baixa liquidez em meio a pressão externa e incertezas internas
O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana em ritmo lento, marcado por poucos negócios e baixa liquidez. Segundo o analista de safras & Mercado, Elcio Bento, o comportamento defensivo dos compradores reflete a combinação entre ampla oferta global, entrada da safra no Brasil e um câmbio mais favorável ao Real, fatores que reduzem o ímpeto por novas aquisições. Do lado oposto, os vendedores seguem resistentes, apoiados pela necessidade de importação na temporada 2025/26 e pelas incertezas produtivas no Rio Grande do Sul e na Argentina.
Nas principais praças, o movimento foi heterogêneo. No Paraná, as indicações CIF para moinhos variaram entre R$ 1.200 e R$ 1.250/t, enquanto no Rio Grande do Sul os negócios no interior ficaram entre R$ 1.000 e R$ 1.030/t, ambos refletindo, conforme Bento, “um mercado com oferta reduzida e dificuldade crescente em encontrar trigo com força panificadora adequada”. A exportação segue concentrada no RS, com 431,8 mil toneladas já programadas, principalmente para Bangladesh, Indonésia, Equador e Vietnã.
A paridade de importação continua exercendo pressão importante sobre o mercado interno. O trigo argentino Hard chegou a apresentar vantagem de até 20% sobre o produto nacional em algumas regiões. “Com a competitividade do trigo importado, a precificação doméstica tende a ficar travada, especialmente onde a moagem depende do abastecimento externo”, explica Bento.
Nos derivados, o farelo de trigo registrou alta no Paraná e estabilidade no RS e em SP, enquanto Goiás apontou queda quinzenal. Já a farinha manteve preços estáveis nas principais regiões. Para Bento, o segmento segue condicionado à “logística apertada e à necessidade dos moinhos de manter o ritmo de produção”, sem espaço para reajustes mais amplos.
Mesmo com o dólar oscilando, o analista destaca que o câmbio não tem sido suficiente para destravar o mercado. “O trigo brasileiro está em compasso de espera. Há potencial de movimento, mas as incertezas sobre safra e política de comercialização ainda seguram os agentes”, resume.
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