Trigo é destaque entre commodities nesta 3ª com altas de mais de 7% em Chicago, puxando milho e complexo soja
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Mais de 7% - ou 50 pontos - foi o que subiu o mercado do trigo nesta terça-feira (20) na Bolsa de Chicago. Os futuros do cereal encerraram os negócios com ganhos de 51,75 a 59,50 pontos entre as posições mais negociadas, com o dezembro fechando com US$ 8,90 e os contratos mais longos voltando a testar patamares acima dos US$ 9,00 por bushel. O mercado do cereal foi puxando todos os demais na CBOT, em especial o milho e o farelo de soja, com altas de 2% em ambos. A soja em grão e o óleo também fecharam em campo positivo e testando ganhos consideráveis.
O trigo recuperou as baixas registradas na sessão anterior - quando perdeu quase 30 pontos nos principais vencimentos - e adicionou mais ganhos aos preços nesta sessão.
Como explicou o analista de mercado e diretor da De Baco Corretora, Marcelo De Baco, o mercado refletiu uma combinação de preocupações com o desabatescimento do grão na Europa, a deterioração das lavouras de milho dos EUA - o que poderia exigir mais demanda por trigo para compor os volumes, em especial no setor de rações - como alguns dos fatores de estímulo às cotações.
Os traders somaram ainda às suas preocupações as notícias que chegam do conflito entre Rússia e Ucrânia. As informações que chegam neste 20 de setembro é de que os russos estariam planejando a ocupação de territórios ucranianos já sido atacados nestes sete meses de guerra. De outro lado, um mídia da Ucrânia noticiou que segundo o porta-voz do gabinete de Volodymyr Zelensky, "quaisquer referendos sobre adesão à Rússia em territórios ucranianos ocupados pela Rússia destruirão qualquer janela restante para negociações entre Kiev e Moscou", de acordo com a agência de notícias Reuters.
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Logo pela manhã as informações já começaram a pesar sobre as cotações, uma vez que ambos os países são importantes players globais de trigo e nos meses em que o conflito tem se dado, a desorganização do supply chain do cereal tem só se aprofundado, correndo em paralelo a perdas de safras em diversos pontos do hemisfério norte, em especial da Europa. E o movimento foi se intensificando.
No início deste mês, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, já havia criticado o acordo firmado por ambos os países com a ONU (Organização das Nações Unidas) para a exportação de produtos agropecuários criado em julho, garantindo a saída segura de navios de portos da região do Mar Negro. Durante o Vladivostok Economic Forum, Putin afirmou que o corredor não estaria, efetivamente, ajudando os países mais pobres.
O acordo tem validade de 120 dias.
"A Rússia, assim como os países pobres, foram enganados, embora temos feito tudo para chegar a esses acordos, aderimos a eles e os garantimos", disse Putin. Na ocasião da declaração, em 7 de setembro, os preços do trigo também saltaram mais de 7% na CBOT.
De outro lado, o economista-chefe de commodities da StoneX, nos EUA, Arlan Suderman, afirmou que "Putin não tem interesse em ver a Ucrânia se beneficiar das grandes vendas de grãos em um momento em que as vendas de seu próprio país estão fracas após uma grande safra". Somente em julho e agosto, os embarques de trigo da Rússia caíram 22% na comparação anual.
"O contrato mais negociado do trigo na Bolsa de Chicago atingiu os níveis mais altos em mais de dois meses à medida em que as tensões na região do Mar Negro continuam a ameaçar a oferta e o comércio globais. Os preços estão semelhantes com 2007 e 2012, recordes para a data", explicou a especialista internacional em commodities, Karen Braun.
Complementando o cenário, ainda nesta semana a consultoria ucraniana UkrAgroConsult informou que o plantio da nova safra de trigo do país chegou a 9% da área, com expectativas de que haja uma redução de área em relação à temporada anterior de mais de 17%.
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