Veranico mantém calor e seca no interior, enquanto chuva ganha força no Sul
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O Brasil terá, nos próximos dias, um cenário de forte contraste entre regiões. Enquanto o Sul começa a receber uma mudança importante no tempo, com a chegada de uma frente fria, chuva e queda nas temperaturas, grande parte do interior do país permanece sob influência do veranico, com calor elevado e pouca ou nenhuma precipitação.
A tendência é de manutenção do tempo seco no Centro-Oeste, interior do Sudeste e em áreas do Nordeste, enquanto as chuvas também aparecem de forma mais localizada no extremo norte do país e na faixa litorânea nordestina. Para o produtor rural, o cenário exige atenção principalmente à baixa umidade do solo, ao estresse hídrico e ao risco de queimadas nas áreas mais secas.
Segundo a meteorologista Amanda Balbino, da Ampere, o veranico ainda deve persistir por mais alguns dias. A mudança mais significativa ocorre com a chegada de uma frente fria ao Sul.
“Até meados dessa semana, entre quarta e quinta-feira, ainda vai continuar essa condição de tempo seco e bastante quente em regiões do Sudeste, do Centro-Oeste e também em partes do Sul, especialmente no norte do Paraná. A partir do final da semana, esse veranico tende a perder força em algumas áreas”, explica Amanda.
A meteorologista destaca que a condição de tempo seco está associada à atuação de uma área de alta pressão, que dificulta a formação de nuvens de chuva. Com isso, o calor se intensifica durante as tardes, principalmente no interior do país.
Sul terá mudança de tempo e chuva mais significativa
A Região Sul será a primeira a sentir de forma mais clara a mudança no padrão atmosférico. A partir de quinta-feira, a chegada de uma frente fria aumenta as condições para chuva e provoca queda nas temperaturas.
Os maiores volumes são esperados inicialmente no Rio Grande do Sul, especialmente na Campanha, onde os acumulados podem superar 50 milímetros. No restante do estado, as projeções indicam volumes entre 20 e 40 mm.
A chuva também deve alcançar Santa Catarina e o Paraná, com possibilidade de temporais em alguns pontos. Além da precipitação, a entrada de ar frio deve reduzir as temperaturas.
O frio também ganha espaço. Depois de dias mais quentes, as temperaturas começam a cair gradualmente, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. No fim de semana, há possibilidade de geada fraca e localizada no Rio Grande do Sul.
Outro ponto de atenção é a possibilidade de tempo severo associado à passagem da frente fria, principalmente no Sul. O cenário pode favorecer tempestades com rajadas fortes de vento e granizo, exigindo acompanhamento das atualizações meteorológicas.
Sudeste segue sob domínio do veranico
No Sudeste, a mudança provocada pela frente fria será bem mais limitada. O interior da região continua com tempo firme, pouca nebulosidade e temperaturas elevadas.
A condição de veranico permanece especialmente sobre o interior de São Paulo, Triângulo Mineiro e noroeste de Minas Gerais, onde as máximas devem continuar acima dos 30°C nos próximos dias. Já as áreas próximas ao litoral apresentam temperaturas mais amenas, mas também sem previsão de chuva significativa.
No Sul de Minas, por exemplo, as mínimas podem ficar entre 12°C e 18°C, mas as tardes continuam quentes. A aproximação da frente fria ainda pode provocar uma elevação adicional das máximas devido à entrada de ventos de norte, antes da mudança efetiva do tempo.
“Entre quarta e quinta-feira, o Sul de Minas tende a experimentar uma elevação das temperaturas máximas, que podem alcançar de 28°C até mesmo 30°C em algumas localidades. E sem chuva”, detalha Amanda.
Centro-Oeste continua quente e seco
O Centro-Oeste é uma das regiões que mais sentem os efeitos do veranico. A previsão indica continuidade do tempo seco e das temperaturas elevadas, principalmente em Mato Grosso e Goiás.
As máximas podem superar 36°C, enquanto a umidade permanece baixa. Mato Grosso do Sul terá uma situação um pouco diferente, principalmente no sul e oeste do estado, devido à influência da frente fria que avança pelo Sul.
“Não tem previsão nem de chuva fraca. Vai ser um tempo mais seco mesmo, predominando ao longo dos próximos dias”, afirma a meteorologista.
A diferença entre os estados fica mais evidente com a aproximação da frente fria. Enquanto o sul e o oeste de Mato Grosso do Sul terão queda nas temperaturas, Mato Grosso e Goiás continuarão com máximas acima de 36°C.
Para o produtor, o principal problema é a persistência da falta de chuva. Em municípios como Primavera do Leste e Sorriso, em Mato Grosso, as previsões indicam que setembro ainda pode apresentar chuva pouco frequente e com volumes insuficientes para aliviar a condição de seca.
A melhora mais consistente aparece somente no fim de setembro e início de outubro.
Em Goiás, o comportamento é semelhante: setembro pode registrar alguns episódios de chuva, mas a regularização das precipitações tende a ocorrer apenas entre o fim do mês e outubro.
Nordeste tem chuva no litoral e seca no interior
No Nordeste, o contraste também é marcante. A umidade proveniente do oceano favorece a formação de nuvens e episódios de chuva principalmente no litoral da Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco.
Os maiores volumes, porém, ficam restritos à faixa costeira. No interior, especialmente em áreas do Piauí, Maranhão, Ceará e oeste da Bahia, o tempo segue seco e quente.
Amanda explica que a atuação dos ventos úmidos que chegam do oceano é determinante para as chuvas no litoral.
“Os ventos úmidos do oceano sopram para dentro do continente e trazem a umidade com eles. Então é por isso que acabam formando essas chuvas”, explica.
As temperaturas também permanecem elevadas. No Matopiba, os termômetros podem superar os 35°C, especialmente no oeste da Bahia, Piauí, Maranhão e em partes do Ceará e Rio Grande do Norte.
Norte entra em período mais seco
Na Região Norte, o padrão também começa a mudar com o avanço do chamado verão amazônico, período em que a frequência das chuvas diminui em relação aos meses mais chuvosos.
Mesmo assim, a região ainda pode registrar temporais isolados, principalmente no Amazonas, Acre, Roraima e Amapá. No restante da região, a chuva tende a ser mais irregular, com destaque para o tempo seco no Tocantins.
O cenário para os próximos dias reforça a diferença entre o extremo norte e as áreas mais ao sul da região: enquanto Amazonas e Roraima ainda podem receber episódios de chuva, Tocantins e parte do Pará seguem com calor e baixa umidade.
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