El Niño se fortalece e NOAA eleva chance de fenômeno muito forte até o fim do ano

Segundo a Noaa, de outubro a dezembro há 69% de chance de um evento histórico, que excederia a força de eventos de El Niño anteriores datados desde 1950.
Publicado em 14/08/2026 15:05 e atualizado em 14/08/2026 15:52

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O El Niño ganhou força em julho e deve continuar se intensificando nos próximos meses, aumentando a possibilidade de um episódio de grande intensidade entre o fim de 2026 e o início de 2027. A atualização mais recente da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta uma probabilidade de 95% de o fenômeno alcançar a categoria muito forte a partir de setembro, enquanto a chance de permanência desse padrão até janeiro chega a 90%.

A previsão representa uma elevação em relação ao boletim anterior. No mês passado, a NOAA estimava em 81% a possibilidade de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro.

Ainda segundo a Noaa, de outubro a dezembro há 69% de chance de um evento histórico, que excederia a força de eventos de El Niño anteriores datados desde 1950.

O fortalecimento também aparece nos dados observados no Pacífico equatorial. Em julho, algumas áreas registraram anomalias de temperatura da superfície do mar superiores a 2°C. Pela classificação utilizada para o fenômeno, valores acima de 0,5°C já caracterizam El Niño. A intensidade é considerada fraca entre 0,5°C e 1°C, moderada entre 1°C e 1,5°C, forte entre 1,5°C e 2°C e muito forte acima de 2°C.

O meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, chama atenção, porém, para um segundo componente que pode ser determinante na evolução do clima nos próximos meses: o aquecimento global.

“Nós estamos sob o domínio de um El Niño que já está bastante forte, e também o planeta está extremamente quente”, afirmou.

Segundo o especialista, a temperatura média do planeta vem se mantendo em níveis excepcionalmente elevados. No dia 11 de agosto, por exemplo, foi registrado um dos maiores valores de temperatura da superfície do planeta dentro da série considerada por Nascimento.

“Essa combinação é bastante singular. Nunca antes vista. Eu diria até que o planeta extremamente quente preocupa mais do que o El Niño”, avaliou.

Embora o fenômeno tenha padrões conhecidos de influência sobre o Brasil, a intensidade do El Niño não permite prever, isoladamente, o comportamento do tempo em cada região.

De maneira geral, episódios fortes tendem a favorecer maior frequência de chuva no Sul e condições mais quentes e secas em partes do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. No entanto, esses efeitos podem variar conforme a época do ano e a interação com outros sistemas meteorológicos.

Um El Niño muito forte também não significa necessariamente que todos os impactos serão mais graves. O que aumenta é a possibilidade de ocorrência de padrões mais marcantes, como ondas de calor, períodos de seca ou episódios de chuva intensa, dependendo da região.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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