Em crise, venezuelanos se preparam para cortes ainda mais severos de energia e água com aproximação do El Niño
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Por Tibisay Romero e Mariela Nava e Marianna Parraga
VALÊNCIA/MARACAIBO/LA GUAIRA, 13 Ago (Reuters) - Menos de dois meses após dois terremotos devastadores que deixaram mais de 6.000 mortos, os venezuelanos estão sendo convocados pelo governo a economizar energia elétrica e água.
Com uma seca se aproximando, muitos interpretam isso como um presságio de cortes de energia mais generalizados e menor abastecimento de água potável, após meses de restrições já severas.
A presidente interina Delcy Rodríguez afirmou na semana passada que o El Niño já estava afetando o país membro da Opep e poderia trazer uma seca antes do fim do ano. O fenômeno periódico, que aquece a superfície do Oceano Pacífico e altera os padrões climáticos globais, tornou necessária a conservação de energia e água, disse ela.
O apelo para ampliar a economia de recursos em uma rede elétrica já sobrecarregada desencadeou novos protestos em regiões onde a população e as empresas enfrentam cortes de energia de até 10 horas por dia, falhas frequentes nos equipamentos que levam a quedas de energia que duram dias e abastecimento intermitente de água.
“Não consigo entender como podemos adotar mais medidas de economia de energia se nem sequer temos energia”, disse Mariela Núñez, uma professora aposentada de 75 anos da cidade de Valência, na região central do país, onde os cortes diários de energia estão se prolongando.
“Eles cortam a energia sem aviso prévio”, acrescentou ela. “O calor não nos deixa dormir e não temos elevador para subir e descer até um apartamento no 12º andar.”
A Venezuela tem menos de 13.000 megawatts (MW) de capacidade de geração disponível, de um total de 36.000 MW instalados, o que deixa um déficit de mais de 1.500 MW entre a oferta e a demanda atuais — déficit que as autoridades estão tentando evitar que aumente.
Quase 90% da capacidade térmica está fora de serviço após anos de subinvestimento e atrasos na manutenção, afirmou o especialista em energia Nelson Hernández em um relatório neste ano. Isso aumentou a dependência da energia hidrelétrica, principalmente do sistema da barragem de Guri, no sul, para mais de 80%.
Delcy Rodríguez prometeu que até 4.800 MW de capacidade instalada serão restaurados antes do final do ano, afirmando que contratos assinados recentemente com a GE Vernova e a IMPSA para modernizações e novas turbinas também aumentariam a oferta.
No entanto, promessas anteriores que não foram cumpridas deixaram muitos céticos.
“Temos que ser honestos. O El Niño não é a causa da crise dos serviços públicos”, disse José Antonio Robles, que dirige o centro de engenheiros do Estado de Zulia. “Ele está apenas agravando um déficit de longa data.”
Ele atribuiu a necessidade atual de racionamento aos anos de subinvestimento na geração de energia e à deterioração das linhas de transmissão e distribuição, o que tornou o sistema incapaz de atender ao aumento da demanda.
A seca e os incêndios florestais também podem ameaçar a produção agrícola, agravando as dificuldades causadas pelo racionamento de energia e água, disse Abraham Salcedo, diretor da faculdade de engenharia civil da Universidade Central da Venezuela.
O Ministério da Informação da Venezuela e a concessionária Corpoelec não responderam aos pedidos de comentário.
(Reportagem de Tibisay Romero, Marianna Parraga, Deisy Buitrago, Mariela Nava, Vivian Sequera, Mircely Guanipa, Tathiana Ortiz e Nayrobis Rodríguez)
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