Calor extremo e seca no Tocantins levam produtores a colher milho durante a noite para evitar incêndios
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O período mais seco do ano na Região Norte segue impondo desafios ao campo, especialmente no Tocantins. Em pleno auge da colheita do milho safrinha, produtores rurais passaram a realizar parte das operações durante a noite para reduzir o risco de incêndios provocados pelo calor intenso e pela baixa umidade do ar.
O estado cultivou mais de 1 milhão de hectares de milho em 2026 e, diante das condições climáticas adversas, muitas propriedades reorganizaram a rotina das máquinas agrícolas. A estratégia busca evitar que faíscas geradas durante a colheita iniciem focos de fogo em meio à vegetação extremamente seca.
O cenário preocupa. Em 2025, o Tocantins registrou 11.548 focos de incêndio, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em 2026, até o dia 22 de julho, já foram contabilizados 3.314 registros.
Tocantins segue sob domínio do ar quente
Para o Tocantins, porém, a previsão permanece desfavorável para a agricultura. A atuação de uma massa de ar quente mantém as temperaturas elevadas e reduz significativamente as chances de chuva.
"As temperaturas seguem entre 35°C e 37°C em diversas áreas, enquanto os volumes de chuva permanecem abaixo da média. Esse cenário se mantém na sexta-feira, no sábado e também no domingo", destaca Andreia Ramos.
A meteorologista ressalta que a Região Norte atravessa justamente seu período menos chuvoso, que normalmente se estende entre julho e setembro, quando as precipitações ficam mais escassas e o calor predomina.
Além do Tocantins, o sul do Pará também permanece sob influência do ar seco e quente. Mesmo onde ocorrem pancadas isoladas, elas têm caráter passageiro e não são suficientes para reverter o déficit de umidade do solo.
Chuva permanece restrita ao extremo Norte
Enquanto o Tocantins enfrenta calor intenso e tempo seco, a chuva continua concentrada sobre o extremo norte da Região Norte.
De acordo com a meteorologista Andreia Ramos, os maiores volumes previstos para os próximos dias permanecem sobre o oeste do Amazonas, Acre, Amapá e parte do Pará.
"A parte mais efetiva dessa chuva fica no Pará, no Amapá e principalmente no oeste do Amazonas. Durante a tarde, o aquecimento favorece a formação de nuvens e aumenta a possibilidade de pancadas acompanhadas de trovoadas e rajadas de vento", explica.
Segundo a especialista, na sexta-feira (24), Manaus e Belém podem registrar pancadas rápidas de chuva, com trovoadas e ventos fortes. No sábado (25) e no domingo (26), as instabilidades continuam concentradas sobre o Amazonas, norte do Amapá, centro do Pará e extremo norte de Rondônia, típicas do padrão climático da região nesta época do ano.
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