Açúcar fecha em alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres com avanço do petróleo

Alta do petróleo melhora a competitividade do etanol e reforça preocupação com menor disponibilidade de açúcar no mercado global
Publicado em 09/09/2026 16:15

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Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (9), impulsionados principalmente pela valorização do petróleo bruto, que avançou cerca de 3% e atingiu a maior cotação em três meses e uma semana. 

Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou com alta de 30 pontos, a 18,40 cents por libra-peso. Já em Londres, o contrato outubro avançou 155 pontos, para US$ 534,30 por tonelada.

A alta do preço do petróleo bruto sustenta os preços do etanol e pode levar as usinas de açúcar do mundo todo a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção de etanol em vez de açúcar, reduzindo a oferta do produto. 

Tailândia reforça preocupação com oferta

Os preços também encontram suporte nas perspectivas de menor produção na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar.

Na segunda-feira, a Thai Sugar Millers Corp projetou que a produção tailandesa na safra 2026/27 poderá cair 17%, para aproximadamente 10 milhões de toneladas.

A expectativa de uma redução expressiva na produção do país aumenta a preocupação com a disponibilidade de açúcar para exportação e contribui para dar sustentação aos preços.

Déficit global ganha força

O mercado segue atento às projeções de um balanço global mais apertado na próxima temporada.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) prevê um déficit de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, depois de estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

A entidade projeta produção mundial de 180,1 milhões de toneladas em 2026/27, queda de 1% em relação ao ciclo anterior.

Outras consultorias apresentam números ainda mais apertados. A Green Pool estima déficit global de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a StoneX projeta déficit de 1,7 milhão de toneladas. A Covrig Analytics prevê saldo negativo de 300 mil toneladas.

Na Europa, a seca e o clima quente também pressionam as perspectivas de produção. Segundo dados da S&P Global Energy, a produção de açúcar na União Europeia e no Reino Unido deverá ficar em 14,98 milhões de toneladas, o menor nível em 11 anos.

Índia limita avanço dos preços

Apesar dos fatores positivos, a possibilidade de uma demanda menor da Índia continua sendo um ponto de pressão para o mercado.

Na semana passada, o governo indiano reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque permitido para revendedores de açúcar, com validade de 15 de setembro a 20 de novembro. A medida busca aumentar a disponibilidade interna e conter a especulação.

Com maior oferta doméstica, a necessidade de importação pelo país pode ser menor do que a inicialmente esperada.

A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e, tradicionalmente, também exporta o produto. Em agosto, o governo autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto, sem cobrança de impostos, até 31 de outubro.

As condições climáticas, porém, continuam sendo um ponto de atenção. Segundo o Departamento Meteorológico da Índia, as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 14% abaixo da média até 7 de setembro. O resultado representa melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, mas ainda mantém preocupações sobre a produção.

Brasil também influencia o mercado

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a menor produção registrada no Centro-Sul também contribui para um cenário de oferta mais restrita.

Segundo a Unica, a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

A combinação entre preços mais atrativos para o etanol e a valorização do petróleo pode favorecer uma maior destinação de cana para o biocombustível, reduzindo a quantidade disponível para a produção de açúcar.

O cenário climático também permanece no radar. A preocupação com os efeitos do El Niño sobre as chuvas no Brasil, Índia e Tailândia, importantes regiões produtoras, acrescenta um fator de risco para a oferta mundial.

Assim, a alta do petróleo e as perspectivas de menor produção em importantes países produtores deram suporte às cotações nesta quarta-feira. Ao mesmo tempo, o mercado continua acompanhando de perto as medidas da Índia, que podem 
 

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