Açúcar avança em Nova Iorque e dispara em Londres com novas preocupações sobre oferta

Cotações avançam com atenção à menor produção na Tailândia e ao cenário de oferta mais restrita, enquanto mercado ainda acompanha as importações da Índia
Publicado em 09/09/2026 12:23 | Atualizado em 09/09/2026 13:46

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Os preços do açúcar operam em alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (9), após encerrarem o pregão anterior em direções opostas. O mercado acompanha as perspectivas de menor produção na Tailândia e o cenário de oferta global mais apertada, enquanto as expectativas em torno das importações da Índia continuam limitando o avanço das cotações.

Na bolsa de Nova Iorque, por volta das 12h (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 18,22 cents por libra-peso, com alta de 12 pontos. Já o contrato março/27 avançava 11 pontos, cotado a 19,20 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato outubro era negociado a US$ 526,90 por tonelada, alta de 810 pontos. O contrato dezembro avançava 580 pontos, para US$ 529,60 por tonelada.

Menor produção na Tailândia dá suporte ao mercado

Entre os fatores que ajudam a sustentar os preços nesta sessão está a perspectiva de uma produção menor na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar.

Na segunda-feira (8), a Thai Sugar Millers Corp projetou que a produção de açúcar do país na safra 2026/27 poderá cair 17%, para cerca de 10 milhões de toneladas.

A expectativa de menor oferta tailandesa reforça as preocupações com a disponibilidade global na próxima temporada, principalmente diante das projeções de déficit feitas por diferentes consultorias e instituições.

Índia continua no radar

Apesar dos fatores positivos para os preços, o mercado segue pressionado pelas especulações de que a Índia poderá importar menos açúcar do que o inicialmente previsto.

Na semana passada, o governo indiano reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque permitido para os revendedores, medida que entra em vigor em 15 de setembro e segue até 20 de novembro. O objetivo é conter a especulação e aumentar a disponibilidade do produto no mercado doméstico.

Com estoques internos maiores, a necessidade de importação pode ser menor, reduzindo uma possível fonte de demanda pelo açúcar no mercado internacional.

A Índia é o segundo maior produtor mundial e, tradicionalmente, também atua como exportadora. Em agosto, o país autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto, com isenção de impostos, até 31 de outubro.

Fundos mantêm posição elevada em Nova Iorque

Outro ponto acompanhado pelo mercado é o posicionamento dos fundos na bolsa de Nova Iorque.

O relatório semanal Commitment of Traders (COT), divulgado na última sexta-feira, mostrou aumento de 28.526 posições compradas, levando o saldo líquido para 132.496 posições na semana encerrada em 1º de setembro. Esse foi o maior nível em três anos.

Uma posição comprada elevada pode aumentar a volatilidade do mercado e ampliar os movimentos de queda caso haja uma mudança nas expectativas de preços.

Déficit global continua dando suporte

Na semana passada, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou um déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

Para 2026/27, a entidade prevê produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação à temporada anterior, citando entre os riscos os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre as lavouras da Índia e da Tailândia.

Outras instituições também apontam para um mercado mais apertado. A Green Pool estima déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX projeta saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas. A Covrig Analytics, por sua vez, prevê déficit de 300 mil toneladas.

Para 2025/26, a ISO estima produção recorde de 182 milhões de toneladas e superávit global de 1,1 milhão de toneladas.
Europa e Brasil também preocupam

Na Europa, a seca e as temperaturas elevadas devem reduzir a produção. Segundo dados da S&P Global Energy, a produção de açúcar na União Europeia e no Reino Unido deverá ficar em 14,98 milhões de toneladas, o menor nível em 11 anos.

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a produção do Centro-Sul também apresentou queda. Segundo a Unica, a produção de açúcar caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

A relação entre açúcar e etanol também é importante para o balanço de oferta. Com a fabricação de etanol ganhando espaço, uma parcela maior da cana pode ser direcionada ao biocombustível, reduzindo a quantidade disponível para a produção de açúcar.

O cenário é confirmado pelos dados do Cepea, que apontam que os preços do açúcar cristal seguem em alta em São Paulo, sustentados pela oferta mais restrita. Segundo o centro de estudos, dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram que, mesmo com o avanço da moagem no Centro-Sul, o aumento da matéria-prima disponível foi absorvido pelo etanol, cuja produção cresceu.

Esse descompasso entre moagem e disponibilidade de açúcar tende a manter a oferta mais limitada ao longo do restante do ciclo.
No mercado externo, ainda segundo o Cepea, os preços do açúcar demerara seguem fortalecidos diante das projeções de déficit na produção mundial.

El Niño permanece como risco para a oferta

O clima também permanece no radar do mercado. A preocupação é de que o El Niño provoque redução das chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia.

Em julho, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos avaliou que o fenômeno, que havia surgido no Pacífico equatorial, poderia estar entre os mais fortes registrados em mais de 75 anos.

Assim, enquanto a possibilidade de menor necessidade de importação pela Índia continua sendo um fator de pressão, as perspectivas de menor produção na Tailândia, Brasil e Europa e o risco climático ajudam a sustentar os preços do açúcar nesta quarta-feira.
 

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