Açúcar recua nas bolsas internacionais após máximas recentes

Mercado realiza parte dos ganhos após máximas recentes, mas perspectivas de déficit global em 2026/27 continuam dando suporte às cotações
Publicado em 03/09/2026 11:38

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Os preços do açúcar operam em queda nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (3), depois das fortes altas registradas nos últimos dias. O movimento ocorre mesmo com o mercado ainda sustentado pela expectativa de uma oferta mundial mais apertada na safra 2026/27. 

Por volta das 11h30 (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 17,69 cents por libra-peso, com baixa de 1 ponto. Já o contrato março/27 recuava 93 pontos, cotado a 18,71 cents por libra-peso.

Em Londres, o movimento também era negativo. O vencimento outubro caía 187 pontos, negociado a US$ 520,50 por tonelada, enquanto o contrato dezembro recuava 175 pontos, a US$ 519,10 por tonelada.

A queda desta quinta-feira acontece após o açúcar registrar forte valorização nos dois pregões anteriores. Na quarta-feira (2), o contrato outubro em Nova Iorque fechou a 18,70 cents por libra-peso, atingindo o maior nível em quase 16 meses. Em Londres, o mesmo vencimento encerrou a sessão a US$ 539,20 por tonelada, no maior patamar em uma semana.

Com a forte valorização recente, o mercado passa por um movimento de ajuste, com investidores realizando parte dos ganhos. Ainda assim, os fundamentos de médio prazo continuam dando suporte às cotações.

Déficit global continua no radar

Um dos principais fatores de sustentação do açúcar é a mudança nas expectativas para o balanço mundial. Na terça-feira (1º), a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas na safra 2026/27, depois de estimar um superávit de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.

Para a próxima temporada, a entidade prevê produção mundial de 180,1 milhões de toneladas, queda de 1% em relação ao ciclo anterior. Entre os riscos considerados estão os possíveis impactos do El Niño sobre as lavouras de Índia e Tailândia.

Outras consultorias também passaram a enxergar um mercado mais apertado. A Green Pool estima déficit de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27, enquanto a Covrig Analytics projeta saldo negativo de 300 mil toneladas.

A StoneX elevou sua previsão de déficit de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas, enquanto a Czarnikow revisou sua projeção de um superávit de 1,4 milhão para um déficit de 100 mil toneladas. Entre os fatores considerados pela consultoria está o maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.

Europa reduz expectativa de produção

A produção de açúcar na Europa também é um ponto de atenção. O Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia estima que a produção do bloco na safra 2026/27 caia 19%, para 13,4 milhões de toneladas.

As condições climáticas adversas, com períodos de seca e temperaturas elevadas, prejudicaram o desenvolvimento das lavouras de beterraba.
Segundo dados da S&P Global Energy, a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido pode recuar para 14,98 milhões de toneladas, o menor volume em 11 anos.

Para 2027/28, a Czarnikow projeta um déficit global ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas, enquanto a produção mundial poderia cair 0,7%, para 177 milhões de toneladas.
Índia segue entre os fatores de atenção

As condições climáticas na Índia também permanecem no radar. O Departamento Meteorológico do país informou que as chuvas acumuladas da temporada de monções estavam 13% abaixo da média até 2 de setembro.

Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado em 30 de junho, o cenário ainda gera preocupação. O Ministério de Ciências da Terra da Índia chegou a alertar que a monção deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.

A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tradicionalmente ocupa uma posição exportadora. Em agosto, o país autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A medida chama atenção porque a Índia não realiza importações significativas desde a safra 2017/18 e, portanto, uma eventual necessidade maior de compras externas pode aumentar a demanda pelo açúcar disponível no mercado internacional.

Brasil e El Niño também influenciam

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, a produção do Centro-Sul também contribui para as perspectivas de oferta. A Unica informou que a produção de açúcar na região caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Além do volume produzido, o mix entre açúcar e etanol é importante para o mercado internacional. Quando o biocombustível ganha competitividade, as usinas podem direcionar uma parcela maior da cana para o etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar.

O clima acrescenta uma camada de incerteza. A possibilidade de um El Niño mais intenso aumenta as preocupações com a produção nas principais regiões produtoras, especialmente Brasil, Índia e Tailândia.

Assim, apesar da queda registrada nesta quinta-feira, o movimento ainda é visto como uma correção após as máximas recentes. No cenário de médio prazo, as perspectivas de oferta mais apertada para 2026/27 continuam sendo um importante fator de sustentação para os preços do açúcar.


 

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