Açúcar dispara com previsão de queda na produção da União Europeia

Queda na produção da União Europeia e novas projeções de déficit para 2026/27 reforçam o suporte às cotações internacionais
Publicado em 27/08/2026 17:12
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A forte revisão nas perspectivas de oferta global impulsionou as cotações do açúcar nesta quinta-feira (27), levando os contratos a novas máximas e reforçando o movimento de valorização observado ao longo de agosto. O mercado foi sustentado principalmente pela expectativa de menor produção na União Europeia e pela ampliação das projeções de déficit para a próxima safra.

Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou em alta de 60 pontos, negociado a 18,19 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato outubro avançou 103 pontos, encerrando a sessão a US$ 524,30 por tonelada.

Produção da União Europeia deve cair

Um dos principais fatores de suporte ao mercado nesta quinta-feira foi a atualização do Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia. Segundo o órgão, a produção de açúcar do bloco na safra 2026/27 deverá recuar 19% em relação ao ciclo anterior, para 13,4 milhões de toneladas.

A perspectiva de uma produção menor na Europa aumenta as preocupações com a disponibilidade global da commodity e reforça um cenário de oferta mais apertada para a próxima temporada.

A redução ocorre em meio aos impactos de condições climáticas adversas sobre as lavouras de beterraba, com destaque para períodos de seca e temperaturas elevadas registrados em importantes regiões produtoras.

Déficit global ganha força

Além da estimativa para a União Europeia, o mercado também repercutiu uma nova projeção da Green Pool Commodity Specialists, que estima um déficit global de 3,2 milhões de toneladas de açúcar em 2026/27.

A consultoria também reduziu sua estimativa de superávit global para 2025/26, para 4,85 milhões de toneladas, ante os 4,93 milhões de toneladas projetados anteriormente.

Outras instituições também vêm apontando um balanço mais apertado para o açúcar. Em 3 de agosto, a Covrig Analytics passou a estimar um déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, revertendo uma previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.

A StoneX, por sua vez, elevou no fim de julho sua projeção de déficit para 1,7 milhão de toneladas, contra 550 mil toneladas estimadas anteriormente.

Já a Czarnikow revisou seu balanço para 2026/27 de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. Entre os fatores considerados está o maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol, reduzindo a disponibilidade de açúcar para o mercado.

Índia também está no radar

A oferta da Índia continua sendo outro ponto de atenção para os investidores. Na semana passada, a Diretoria Geral de Comércio Exterior do país autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A medida chamou atenção porque a Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar e tradicionalmente ocupa uma posição de exportadora. O país realizou importações significativas pela última vez na safra 2017/18.

A possibilidade de compras externas indianas ocorre em um momento de preocupação com a oferta global, reforçando a percepção de que os estoques e a produção podem não ser suficientes para atender confortavelmente à demanda nas próximas temporadas.

Agosto de forte valorização

As cotações acumulam forte valorização ao longo de agosto, sustentadas pelas sucessivas revisões nas perspectivas de produção mundial.

Na semana passada, o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 15 meses, enquanto o mercado de Londres alcançou o maior nível em 17 meses. Desde então, os contratos chegaram a passar por uma correção, mas voltaram a ganhar força diante das novas sinalizações de aperto na oferta.

O mercado segue, portanto, dividido entre os sinais de menor produção em importantes regiões produtoras e as expectativas para o comportamento da demanda, especialmente em países como Índia e China.
 

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