Usinas de açúcar e refinarias da Índia devem importar apenas metade da cota isenta de impostos
Por Rajendra Jadhav
MUMBAI, 25 Ago (Reuters) - As usinas de açúcar e refinarias da Índia deverão importar apenas cerca de metade do volume de 1 milhão de toneladas de açúcar bruto permitido pelo governo com isenção de impostos, já que a queda nos preços internos prejudicou a rentabilidade das importações, informaram representantes do setor à Reuters.
A Índia, maior consumidor mundial de açúcar, autorizou na semana passada importações isentas de impostos até 31 de outubro para reduzir os preços recordes antes da temporada de festas, quando a demanda por doces tradicionais costuma atingir seu pico.
No entanto, os preços internos na saída da usina caíram quase 20% em relação ao recorde atingido na semana passada.
“As importações pareciam atraentes na semana passada, quando os preços estavam firmes e em alta. Mas a queda acentuada nos preços desde o anúncio tirou o brilho das importações para as usinas”, disse Rahil Shaikh, diretor-gerente da MEIR Commodities India, trading com sede em Mumbai.
A margem de importação é estreita e não há garantia de que se manterá quando as remessas chegarem, daqui a quase dois meses, disse Shaikh.
Shaikh e outros quatro corretores de tradings globais afirmaram que é improvável que as importações ultrapassem 500 mil toneladas, sendo que a maior parte do volume provavelmente será absorvida pelas refinarias.
OFERTA INTERNA CRESCERÁ A PARTIR DE MEADOS DE OUTUBRO
A Índia possui algumas refinarias de açúcar localizadas em portos que importam açúcar bruto isento de impostos para refino e exportam o açúcar branco.
Na semana passada, o governo permitiu que essas refinarias solicitassem a cota de importação, possibilitando que vendessem no mercado interno, até o final de outubro, o açúcar refinado produzido a partir do açúcar bruto já importado.
Essas refinarias poderiam vender rapidamente cerca de 300 mil toneladas dos estoques que mantêm no mercado interno, disse um corretor de uma trading global com sede em Mumbai, que preferiu não se identificar devido à política da empresa.
Mas as usinas não estão interessadas nas importações, dada a expectativa de que a oferta doméstica aumente a partir de meados de outubro, com o início da nova temporada de moagem, o que pode exercer ainda mais pressão sobre os preços locais, disse ele.
A Índia solicitou às usinas que antecipassem o início da moagem da cana-de-açúcar para 15 de outubro, a fim de aumentar a oferta.
Nova Délhi autorizou apenas a importação de açúcar bruto, que provavelmente virá sobretudo do Brasil, maior produtor mundial, e deve ser processado antes de ser vendido no mercado interno.
Seria necessário permitir a importação isenta de impostos de açúcar branco, juntamente com o açúcar bruto, para aumentar rapidamente a oferta, afirmou o corretor com sede em Mumbai.
(Reportagem de Rajendra Jadhav)
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