Açúcar recua nas bolsas internacionais após máximas recentes; Índia sinaliza oferta suficiente

Cotações devolvem parte dos ganhos após açúcar atingir máximas de 15 e 17 meses em Nova Iorque e Londres, enquanto mercado avalia impacto da decisão indiana de importar até 1 milhão de toneladas
Publicado em 24/08/2026 12:05

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Os preços do açúcar operam em queda nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (24), devolvendo parte dos ganhos acumulados nas últimas sessões. O movimento ocorre após as cotações atingirem máximas de vários meses na semana passada, enquanto investidores avaliam a decisão da Índia de autorizar a importação de açúcar e novas sinalizações sobre a disponibilidade da commodity no país.

Na bolsa de Nova Iorque, por volta das 11h30 (horário de Brasília), o contrato de outubro era negociado a 17,41 cents por libra-peso, queda de 20 pontos. Já o contrato março/27 recuava 18 pontos, a 18,35 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato de outubro era comercializado a US$ 531,00 por tonelada, baixa de 206 pontos. O contrato dezembro era negociado a US$ 528,50 por tonelada, queda de 115 pontos.

Mercado consolida altas recentes

No último pregão, os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (21) em direções opostas, após uma semana de forte valorização. Apesar do recuo desta segunda, o mercado segue sustentado pela perspectiva de um balanço global mais apertado e pela possibilidade de déficit de oferta nas próximas safras.

Na quinta-feira (20), o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 15 meses, enquanto o açúcar branco negociado em Londres alcançou o maior nível em 17 meses, diante das preocupações com a disponibilidade global da commodity.

A valorização acumulada ao longo de agosto tem sido impulsionada principalmente por projeções de menor produção em importantes regiões produtoras e por condições climáticas adversas.

Índia autoriza importação

Um dos principais fatores acompanhados pelo mercado é a decisão do governo indiano de reduzir as tarifas de importação de açúcar para ampliar a oferta doméstica e conter os preços antes do aumento esperado do consumo durante a temporada de festas.

A Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A medida chama atenção porque a Índia é o segundo maior produtor mundial e normalmente ocupa posição de exportadora no mercado internacional. O país realizou importações significativas pela última vez na safra 2017/18.

A decisão, portanto, foi interpretada pelo mercado como um sinal de maior aperto na oferta doméstica indiana e ajudou a sustentar as cotações internacionais nos últimos pregões.

Índia diz que não há escassez

Apesar da autorização para as importações, representantes do setor indiano afirmam que o país não enfrenta uma falta de açúcar.

Em declaração à Reuters nesta segunda-feira, o presidente da Associação Indiana de Usinas de Açúcar, Niraj Shirgaokar, afirmou que a situação do abastecimento é “fundamentalmente sólida”.

Segundo ele, os estoques e a oferta disponíveis são suficientes para atender à demanda durante o período de festas.

A declaração ajuda a limitar as preocupações sobre uma possível escassez imediata no mercado indiano, embora os investidores continuem acompanhando o comportamento da produção e do consumo no país.

Oferta global continua no radar

Mesmo com a sinalização de estoques suficientes na Índia, o cenário internacional continua marcado por preocupações com a produção de açúcar.

As estimativas de diferentes consultorias apontam para um balanço global mais apertado em 2026/27, enquanto problemas climáticos em grandes regiões produtoras aumentam os riscos para a oferta.

Na Europa, por exemplo, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas, segundo dados da S&P Global Energy. Se confirmado, seria o menor volume em 11 anos.

No Brasil, maior produtor e exportador mundial, a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

O mercado também monitora as condições climáticas na Índia, especialmente o comportamento das monções, que são fundamentais para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no país.

Assim, embora a sessão desta segunda-feira seja marcada por queda e correção após as fortes altas recentes, as perspectivas para a oferta global continuam sendo o principal fator de atenção dos investidores.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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