Safra maior de cana amplia oferta de etanol e pressiona preços

Publicado em 21/08/2026 10:47

Antes de chegar à bomba, o etanol passa por uma cadeia que começa no campo e depende diretamente da produtividade e dos custos enfrentados pelo produtor rural. Encontrado recentemente por cerca de R$ 2,99 em alguns postos de Belo Horizonte, o valor do combustível reflete um cenário de maior oferta, refletindo a recuperação da produção de cana-de-açúcar e o avanço do etanol de milho.

Em Minas Gerais, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 82,5 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, alta de 7,0% em relação à temporada anterior. O resultado esperado combina aumento da área cultivada e recuperação da produtividade dos canaviais.

“Cada canavial tem suas características próprias. Depende da localização, do clima, do solo, da insolação e do regime de chuvas. Não existe uma fórmula única para obter alta produtividade”, explica o produtor Humberto de Campos Maciel, de Pompéu e integrante da Comissão Técnica de Cana-de-Açúcar da Faemg.

Nesta safra, as condições climáticas contribuíram para uma perspectiva positiva em diferentes regiões produtoras. Segundo Humberto, as chuvas foram intensas e bem distribuídas, favorecendo o desenvolvimento dos canaviais. A expectativa, segundo ele, é de uma safra nacional entre 5% e 7,5% maior que a anterior, podendo alcançar entre 640 milhões e 650 milhões de toneladas de cana.

O cenário positivo que se reflete nos postos de gasolina, no entanto, convivem com preços pressionados e custos elevados de produção. O valor pago na bomba não é o mesmo recebido pelo produtor. Entre a propriedade rural e o consumidor estão a indústria, o transporte, a distribuição, os tributos e outros agentes que compõem a cadeia.

“A remuneração da cana é influenciada, entre outros fatores, pelo preço do açúcar no mercado internacional. A queda das cotações na Bolsa de Nova York pressionou o valor do ATR, indicador utilizado na remuneração da cana, enquanto fertilizantes e outros insumos ficaram mais caros”, diz Humberto.

Produção e tecnologia

Nesse cenário, a tecnologia tem papel importante na busca por eficiência. A escolha de variedades mais produtivas e resistentes, o manejo adequado do solo, a aplicação mais precisa de fertilizantes, a irrigação e o uso de sistemas orientados por satélite estão entre as estratégias adotadas pelos produtores.

No plantio em curvas de nível orientadas por satélite, por exemplo, a tecnologia também pode ser utilizada na colheita. O sistema permite que as máquinas sigam o planejamento definido para o canavial, reduzindo danos às raízes e favorecendo um aproveitamento mais eficiente da planta.

A irrigação é outro recurso que pode ampliar a produtividade e prolongar a vida útil do canavial. Segundo Humberto, a combinação de diferentes tecnologias e práticas de manejo já permite, em determinadas regiões, dobrar a produtividade, passando de 80 para 160 toneladas por hectare.

Planejamento e assistência técnica

Para alcançar maior produtividade, porém, não basta ter acesso à tecnologia. É preciso saber onde e como aplicá-la. A analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, Nathália Rabelo, destaca que o planejamento deve considerar as características específicas de cada propriedade.

“Cada canavial exige uma estratégia. A análise do solo, a escolha das variedades, o manejo nutricional e o acompanhamento de pragas e doenças precisam estar alinhados às condições da propriedade. A assistência técnica ajuda a transformar essas informações em decisões mais eficientes”, explica.

Esse acompanhamento também contribui para o controle dos custos e para o uso mais preciso de insumos, fatores importantes em um momento de margens mais apertadas para o produtor.

Do campo à bomba

O desempenho dos canaviais tem reflexos sobre a disponibilidade de matéria-prima e, consequentemente, sobre o mercado de etanol. A recuperação da produção de cana ocorre em um momento de maior oferta do combustível, também favorecida pelo crescimento do etanol produzido a partir do milho.

Na última semana, o mercado apresentou sinais de reação. Segundo levantamento da consultoria Datagro, o preço do etanol hidratado ao produtor em São Paulo subiu 8,2%, chegando a R$ 2,1955 por litro. O etanol anidro avançou 6,6%, para R$ 2,5078.

“O preço do etanol está relacionado à variação entre oferta e demanda. E, por trás desse combustível, existe uma cadeia produtiva complexa e um trabalho técnico realizado diariamente pelo produtor de cana”, conclui Nathália.

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Fonte:
FAEMG SENAR

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