Açúcar fecha misto nas bolsas, mas mantém patamares elevados com oferta global no radar

Mercado recua em Nova York após realização de lucros, mas Londres avança e renova máxima de 17 meses, com decisão da Índia de importar açúcar reforçando preocupações sobre a oferta global
Publicado em 20/08/2026 16:01 e atualizado em 20/08/2026 17:05

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Os preços do açúcar encerraram a sessão desta quinta-feira (20) em direções opostas nas bolsas internacionais, após atingirem novas máximas durante o pregão. Em Nova York, o mercado recuou com a realização de lucros, enquanto Londres avançou e alcançou o maior nível em 17 meses. A perspectiva de uma oferta global mais restrita, reforçada pela decisão da Índia de autorizar a importação de açúcar sem tarifas, continua dando sustentação às cotações.

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de outubro fechou em queda de 3 pontos, a 17,52 cents por libra-peso. Já em Londres, o contrato de outubro do açúcar branco encerrou em alta de 10 pontos, a US$ 552,20 por tonelada.
Apesar do fechamento misto, as cotações permaneceram próximas das máximas recentes. Segundo análises de mercado, a queda em Nova Iorque foi influenciada pela realização de lucros por fundos de commodities, em um movimento conhecido como "comprar no boato e vender no fato".

Índia autoriza importação de açúcar

A perspectiva de oferta mais apertada ganhou um novo elemento nesta quinta-feira, após o governo da Índia anunciar a redução das tarifas de importação de açúcar para ampliar a oferta doméstica e conter os preços antes do aumento esperado do consumo durante a temporada de festas.

A Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia autorizou a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A decisão chama atenção porque a Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, tradicionalmente é exportadora da commodity. O país não realiza importações significativas desde a safra 2017/18.

A necessidade de recorrer ao mercado externo reforça as preocupações com a disponibilidade de açúcar no país e pode contribuir para apertar ainda mais o balanço global.

Déficit global sustenta preços

As cotações acumulam forte valorização em agosto diante das sucessivas revisões nas perspectivas de oferta mundial.

A Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.

A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas anteriormente. A StoneX também revisou sua projeção, passando de um déficit de 550 mil toneladas para 1,7 milhão de toneladas.

Já a Czarnikow alterou sua estimativa de balanço para 2026/27 de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, em parte diante do maior direcionamento da cana brasileira para a produção de etanol.

Para 2027/28, a perspectiva também é de déficit. Na última sexta-feira, a Czarnikow estimou um déficit global de 2,9 milhões de toneladas, atribuído à redução do plantio de cana-de-açúcar e beterraba sacarina. A produção mundial deve recuar 0,7%, para 177 milhões de toneladas, com impactos principalmente na Índia, União Europeia e Tailândia.

Clima mantém mercado em alerta

As condições climáticas continuam entre os principais fatores de suporte às cotações.

Na Índia, o Departamento Meteorológico informou na quarta-feira que o acumulado das chuvas de monção entre junho e setembro estava 13% abaixo da média até 19 de agosto. Apesar da melhora em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho, o órgão havia previsto chuvas abaixo da média para agosto e setembro.

O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que a temporada de monções deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos. As chuvas são fundamentais para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no país.

Na Europa, a seca e as temperaturas elevadas devem reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas, o menor nível em 11 anos, segundo dados da S&P Global Energy.

No Brasil, maior produtor mundial, a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas, segundo dados divulgados pela Unica em 6 de agosto.

O mercado também acompanha os possíveis efeitos do El Niño sobre as principais regiões produtoras. O fenômeno tende a alterar o regime de chuvas no Brasil, Índia e Tailândia, aumentando os riscos para a oferta global de açúcar.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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