Mercado do açúcar dispara com projeções de déficit e risco produtivo global

Commodity reage aos alertas de escassez nas safras globais, à frustração de produção no Brasil e na Ásia e à possível redução de tarifas de importação na Índia.
Publicado em 20/08/2026 12:06

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As cotações do açúcar operam em forte alta nesta quinta-feira (20) nas bolsas internacionais, dando continuidade ao movimento de valorização observado ao longo de todo o mês de agosto. O mercado segue impulsionado por revisões para baixo na oferta global, seca nas principais regiões produtoras e potenciais medidas adotadas pela Ìndia.

Na Bolsa de Nova Iorque , por volta das 11h40 (horário de Brasília), o contrato Outubro/26 era negociado a 18,13 cents por libra-peso, com uma alta de 58 pontos, enquanto o vencimento Março/27 operava cotado a 19,05 cents por libra-peso, com ganho de 50 pontos. Em Londres, a tendência foi idêntica, com o contrato Outubro/26 do açúcar branco avançando 199 pontos, negociado a US$ 562,10 a tonelada, e o vencimento Dezembro/26 subindo 156 pontos, a US$ 551,30 a tonelada.

Sustentação e máximas de vários meses

O movimento desta quinta-feira estende os ganhos registrados no pregão de quarta-feira (19), quando os preços do adoçante renovaram máximas de vários meses: em Nova Iorque, o açúcar bruto atingiu o maior patamar em 15 meses, enquanto em Londres o produto refinado alcançou o maior nível em 16 meses. O principal fator por trás desse rali altista é o receio crescente sobre o equilíbrio entre a oferta e a demanda mundial para as próximas safras, somado aos efeitos do clima adverso em pólos estratégicos.

Além disso, o mercado repercute a informação divulgada pela Bloomberg de que a Índia estuda reduzir suas tarifas de importação para aumentar a oferta interna e conter a inflação dos alimentos antes da temporada de festas locais. Por ser um tradicional exportador que não realiza compras relevantes no exterior desde o ciclo 2017/18, a sinalização indiana foi interpretada como um forte indício de escassez no mercado doméstico.

Perdas produtivas e atuação dos fundos

Para Maurício Murici, analista da Safras & Mercado, a escalada recente reflete a percepção clara dos agentes de que a oferta mundial sofrerá uma frustração severa. "Tudo está se desenhando para grandes prejuízos aos canaviais em termos de oferta. Nós estimamos uma frustração produtiva superior a 10 milhões de toneladas nas principais origens mundiais de açúcar, considerando Brasil, Índia, União Europeia, China e Tailândia", avalia Murici. Segundo ele, o cenário motivou uma forte movimentação no setor financeiro: "Os agentes e fundos de investimento acordaram para o fato de que a oferta global de açúcar será fortemente impactada. Isso acaba se refletindo diretamente nas posições compradas e na pressão sobre os preços".

Consultorias projetam déficit global crescente

A Covrig Analytics passou a estimar um déficit global de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas. A Czarnikow alterou sua projeção para a safra 2026/27 de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, e para o ciclo 2027/28 prevê um déficit ainda maior, de 2,9 milhões de toneladas, com produção mundial em queda de 0,7%. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua estimativa de déficit para 3,3 milhões de toneladas, enquanto a StoneX ajustou sua projeção de déficit para 1,7 milhão de toneladas.

Monções na Índia registram fraco desempenho

Na Ásia, os fatores climáticos permanecem no centro das atenções. O Departamento Meteorológico da Índia (IMD) reportou que o acumulado de chuvas das monções de junho a setembro estava 13% abaixo da média histórica até 19 de agosto. Embora o índice represente uma recuperação frente ao déficit de 42% apurado no fim de junho, a previsão para agosto e setembro continua sendo de precipitações abaixo do normal. 

Mix mais alcooleiro e queda na produção do Centro-Sul do Brasil

No cenário doméstico, os números operacionais reforçam a percepção de menor disponibilidade do produto brasileiro. Dados do Ministério da Agricultura (MAPA), antecipados pela Reuters, revelaram que a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul caiu 8,4% na segunda quinzena de julho, somando 46,08 milhões de toneladas. A produção de açúcar recuou 17,6% no período, totalizando 3 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de etanol cresceu 2,8% (2,39 bilhões de litros), evidenciando uma mudança no mix das usinas em favor do biocombustível. No acumulado da safra 2026/27 até o final de julho, o volume total de cana moída no Centro-Sul atingiu 313,21 milhões de toneladas, alta de 2,1% ante igual período do ciclo anterior, porém a produção acumulada de açúcar acumula queda de 12,4%, fixando-se em 16,92 milhões de toneladas.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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