Açúcar fecha em baixa com realização de lucros, mas oferta global preocupa

Realização de lucros interrompe sequência de altas, enquanto preocupações com a oferta global e o clima mantêm o mercado sustentado
Publicado em 12/08/2026 16:27 e atualizado em 12/08/2026 17:05

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O mercado internacional de açúcar encerrou a sessão desta quarta-feira (12) em queda nas bolsas de Nova Iorque e Londres, após os contratos futuros mais próximos atingirem os maiores níveis em cerca de 15 meses. O movimento de baixa foi atribuído à liquidação de posições compradas, em uma sessão marcada também pela realização de lucros após a forte valorização registrada no início do pregão.

Em Nova York, o contrato de açúcar bruto com vencimento em outubro caiu 31 pontos, encerrando a 16,42 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato de outubro do açúcar branco recuou 440 pontos, para US$ 506,90 por tonelada.

Apesar da queda no fechamento, o cenário fundamentalista segue dando suporte às cotações. A preocupação com a redução da produção em importantes regiões produtoras, principalmente em razão das condições climáticas, tem fortalecido a percepção de uma oferta global mais apertada na temporada 2026/27.

Europa deve ter menor produção em 11 anos

Na União Europeia e no Reino Unido, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar para 14,98 milhões de toneladas neste ano, segundo dados da S&P Global Energy. Se confirmado, o volume será o menor em 11 anos.

O quadro climático europeu se soma às preocupações com a produção brasileira. Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostraram que a fabricação de açúcar no Centro-Sul do Brasil caiu 26,3% em junho, na comparação anual, para 3,903 milhões de toneladas.

Como o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, uma redução na produção da principal região canavieira do país tende a reforçar as preocupações sobre a disponibilidade global da commodity.

Déficit global ganha força

As perspectivas de um balanço mais apertado para o açúcar também têm sustentado a valorização observada em agosto. Diferentes consultorias vêm revisando para baixo suas estimativas para a oferta mundial na temporada 2026/27.

A Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas, contra um superávit de 100 mil toneladas estimado anteriormente, em junho.

A Green Pool Commodity Specialists também ampliou sua previsão de déficit, de 1,76 milhão de toneladas para 3,3 milhões de toneladas. Já a StoneX elevou sua estimativa de déficit de 550 mil toneladas, em maio, para 1,7 milhão de toneladas.

A Czarnikow, por sua vez, revisou em junho sua projeção de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas. Entre os fatores considerados está a maior destinação de cana para a produção de etanol pelas usinas brasileiras, em um cenário de preços mais elevados do petróleo.

El Niño aumenta preocupação com oferta

O clima também permanece no radar dos participantes do mercado. A possibilidade de um El Niño mais intenso aumenta as preocupações sobre a produção de açúcar em países como Brasil, Índia e Tailândia, importantes produtores mundiais.

O fenômeno tende a alterar o regime de chuvas nessas regiões, aumentando os riscos de períodos mais secos em áreas produtoras. As projeções climáticas, portanto, passaram a ser acompanhadas de perto pelo mercado diante do potencial impacto sobre a oferta da commodity.

Monções na Índia preocupam mercado

Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, o comportamento das monções também contribui para o cenário de cautela. O Departamento Meteorológico do país avalia que as chuvas durante agosto e setembro devem ficar abaixo da média.

A previsão de precipitação acumulada para o período de junho a setembro foi reduzida para 90% da média de longo prazo, ante os 92% estimados anteriormente.

Até 10 de agosto, as chuvas acumuladas da temporada de monções estavam 12% abaixo do normal, uma melhora significativa em relação ao déficit de 42% registrado até 30 de junho. Ainda assim, a irregularidade das precipitações mantém as atenções voltadas para o desenvolvimento da safra indiana e para os possíveis impactos sobre o balanço global de açúcar.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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