Açúcar segue em alta nas bolsas internacionais com oferta global mais apertada

Menor produção no Brasil e na Europa, déficit projetado para 2026/27 e alta no mercado paulista sustentam as cotações.
Publicado em 11/08/2026 11:51

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Os preços do açúcar seguem em alta nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira (11), mantendo o movimento de valorização observado nas últimas sessões. O mercado encontra suporte nas perspectivas de menor oferta global, especialmente diante da queda na produção brasileira e europeia, enquanto as condições climáticas na Índia e os possíveis impactos do El Niño continuam no radar dos investidores.

Em Nova Iorque, por volta das 11h40 (horário de Brasília), o contrato outubro era negociado a 16,59 cents de dólar por libra-peso, alta de 9 pontos. O contrato março/27 avançava 13 pontos, cotado a 17,57 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato outubro do açúcar branco era comercializado a US$ 508,50 por tonelada, alta de 240 pontos. O contrato dezembro avançava 900 pontos, negociado a US$ 507,00 por tonelada.

Oferta global mais restrita

A perspectiva de queda na produção mundial continua dando sustentação às cotações. Na Europa, a combinação de seca e temperaturas elevadas deve reduzir a produção de açúcar da União Europeia e do Reino Unido para 14,98 milhões de toneladas neste ano, o menor volume em 11 anos, segundo dados da S&P Global Energy.

No Brasil, maior produtor mundial de açúcar, os dados mais recentes também apontam para uma oferta menor. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), as usinas do Centro-Sul produziram 3,903 milhões de toneladas de açúcar em junho, queda de 26,3% em relação ao mesmo mês da safra anterior.

A redução da produção brasileira reforça a percepção de menor disponibilidade da commodity no mercado internacional.

Déficit global no radar

Desde que atingiram a mínima em cerca de cinco meses, em 30 de julho, os preços do açúcar vêm acumulando ganhos diante da perspectiva de um mercado mais apertado na safra 2026/27.

A Covrig Analytics passou a projetar um déficit global de 300 mil toneladas na próxima temporada, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas.

Outras consultorias também revisaram suas estimativas. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas anteriormente. Já a StoneX passou a prever um déficit de 1,7 milhão de toneladas, acima dos 550 mil toneladas estimados anteriormente.

As revisões reforçam a expectativa de que a oferta mundial poderá ficar mais ajustada ao longo da próxima safra.

Índia e El Niño seguem no radar
As condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, continuam entre os principais fatores acompanhados pelos investidores.

Em 31 de julho, o Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção previstas para agosto e setembro provavelmente ficarão abaixo do normal. O Ministério de Ciências da Terra também alertou que a temporada deste ano pode ser a mais fraca em 11 anos.

O mercado ainda acompanha os possíveis efeitos do El Niño sobre a produção mundial. O fenômeno tende a reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando os riscos para a oferta global.

Mercado interno

No mercado físico paulista, as cotações do açúcar cristal branco seguem em alta neste início de agosto e alcançaram R$ 96 por saca de 50 quilos, patamar que não era registrado desde meados de maio.

Segundo o Cepea, a liquidez aumentou, embora os compradores ainda mantenham uma postura seletiva diante dos preços mais elevados nos mercados interno e externo.

Pesquisadores do centro destacam que a menor produção de açúcar no Centro-Sul tem contribuído para sustentar as cotações, mesmo com o aumento do volume de cana processada e a melhora na qualidade da matéria-prima.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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