Açúcar fecha em baixa com queda do petróleo e melhora das chuvas na Índia; déficit global limita perdas

Recuo do petróleo reduz a competitividade do etanol e pressiona as cotações, enquanto revisão da StoneX para maior déficit global impede uma queda mais acentuada.
Publicado em 28/07/2026 16:00 e atualizado em 28/07/2026 16:33

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Os preços do açúcar encerraram a sessão desta terça-feira (28) em queda nas principais bolsas internacionais. O mercado voltou a ser pressionado pelo forte recuo do petróleo, que reduz a atratividade do etanol e favorece a produção de açúcar. As perdas, no entanto, foram limitadas após a StoneX revisar para cima sua estimativa de déficit global da commodity para a safra 2026/27.

Na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro fechou cotado a 14,55 cents de dólar por libra-peso, com queda de 3 pontos. Em Londres (ICE Europe), o contrato outubro do açúcar branco encerrou o dia a US$ 456,80 por tonelada, recuo de 160 pontos.

Petróleo pressiona mercado

O principal fator de baixa foi a forte desvalorização do petróleo. O contrato WTI caiu mais de 4% nesta terça-feira, ampliando a perda superior a 7% registrada na sessão anterior.

Com o petróleo mais barato, o etanol perde competitividade frente aos combustíveis fósseis, reduzindo o incentivo para que as usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível. Esse movimento aumenta a expectativa de maior produção de açúcar e amplia a oferta da commodity no mercado internacional.

StoneX eleva projeção de déficit global

Apesar da pressão baixista, o mercado encontrou algum suporte após a StoneX revisar sua estimativa para o balanço global de açúcar na temporada 2026/27. A consultoria passou a projetar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, acima da previsão anterior, reforçando as preocupações com a disponibilidade da commodity ao longo da safra.

A nova estimativa contribuiu para conter um recuo mais intenso das cotações ao sinalizar um mercado global mais apertado do que o previsto anteriormente.

Chuvas na Índia aliviam preocupação com a safra

Outro fator que segue influenciando as negociações é a melhora das condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.
De acordo com o Departamento Meteorológico indiano, o déficit acumulado das chuvas de monção caiu para 16% abaixo da média até 27 de julho, avanço significativo em relação aos 42% registrados no fim de junho. A recuperação das precipitações fortalece a expectativa de uma safra mais robusta e reduz parte das preocupações com a oferta global.

Apesar disso, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, a evolução do clima continuará sendo acompanhada de perto pelos investidores.

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Além das monções indianas, o mercado continua monitorando os possíveis impactos do El Niño sobre a produção mundial de açúcar. O fenômeno pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, afetando a produtividade das lavouras.

No início do mês, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos informou que o El Niño, formado recentemente no Pacífico Equatorial, tem potencial para se tornar um dos episódios mais intensos das últimas décadas. Ao mesmo tempo, o serviço meteorológico da Índia reduziu sua previsão para o volume de chuvas da temporada de monções para 90% da média histórica, abaixo dos 92% estimados anteriormente, mantendo o clima como um dos principais fatores de atenção para o mercado global de açúcar.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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