Açúcar segue em queda nas bolsas com mercado atento ao petróleo
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Os preços do açúcar operam em queda nas principais bolsas internacionais nesta terça-feira (28). O mercado segue pressionado pela perspectiva de uma oferta global mais confortável, diante da recuperação das chuvas de monção na Índia, enquanto o recuo recente do petróleo continua reduzindo o suporte às cotações da commodity.
Por volta das 11h50 (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro era negociado a 14,56 cents de dólar por libra-peso, com queda de 2 pontos. O contrato março/27 era cotado a 15,42 cents por libra-peso, recuo de 5 pontos.
Na Bolsa de Londres (ICE Europe), o contrato outubro era negociado a US$ 454,90 por tonelada, baixa de 350 pontos. O contrato dezembro era vendido a US$ 455,40 por tonelada, com desvalorização de 320 pontos.
Petróleo continua influenciando o mercado
O mercado segue repercutindo a forte queda registrada pelo petróleo WTI no início da semana. A desvalorização da commodity reduz a competitividade do etanol frente aos combustíveis fósseis, diminuindo o incentivo para que as usinas direcionem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível.
Com isso, aumenta a expectativa de maior produção de açúcar, ampliando a oferta da commodity no mercado internacional e pressionando as cotações.
Chuvas na Índia aliviam preocupações com a oferta
Outro fator que pesa sobre o mercado é a melhora das condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit acumulado das chuvas de monção caiu para 16% abaixo da média até 27 de julho, avanço expressivo em relação aos 42% registrados no fim de junho.
A recuperação das precipitações reduz as preocupações imediatas com a produção indiana e fortalece a expectativa de uma safra maior na temporada 2026/27. Apesar disso, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o comportamento do clima continuará sendo acompanhado de perto pelo mercado.
El Niño e produção brasileira seguem no radar
Mesmo com a pressão baixista observada nas últimas sessões, os investidores continuam monitorando os riscos associados ao fenômeno El Niño. A expectativa é de que o evento climático reduza as chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, podendo comprometer a oferta global nos próximos meses.
No Brasil, os fundamentos seguem oferecendo suporte às cotações. Dados da Unica mostram que a produção de açúcar no Centro-Sul atingiu 6,838 milhões de toneladas até maio da safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A redução reflete a maior destinação da cana para a produção de etanol. O mix das usinas indica que 41,42% da matéria-prima foi destinada ao açúcar, ante 50,09% no ano anterior, enquanto a participação do etanol aumentou de 49,91% para 58,38%, movimento que continua sendo acompanhado pelos agentes do mercado devido aos seus impactos sobre a oferta global da commodity.
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