Açúcar amplia perdas nas bolsas com melhora do clima na Índia e mercado atento à oferta global

Cotações seguem pressionadas pelo avanço das monções indianas, enquanto alta do petróleo limita um recuo mais intenso ao favorecer a produção de etanol.
Publicado em 23/07/2026 12:18

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Os preços do açúcar operam em queda nas principais bolsas internacionais nesta quinta-feira (24), dando sequência ao movimento de baixa observado na sessão anterior. O mercado continua reagindo à melhora das chuvas de monção na Índia, que reduz as preocupações com a oferta global da commodity, embora a valorização do petróleo siga oferecendo suporte às cotações ao estimular a produção de etanol.

Por volta das 12h (horário de Brasília), na Bolsa de Nova Iorque (ICE Futures US), o contrato outubro era negociado a 14,68 cents por libra-peso, com queda de 6 pontos. O contrato março/27 era cotado a 15,57 cents por libra-peso, recuo de 8 pontos.

Na Bolsa de Londres (ICE Europe), o contrato outubro era negociado a US$ 459,80 por tonelada, baixa de 480 pontos. O vencimento dezembro era negociado a US$ 459,70 por tonelada, com queda de 370 pontos.

Na sessão anterior, as cotações encerraram em baixa após o avanço das chuvas de monção na Índia aliviar parte das preocupações com a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar. Segundo o Departamento Meteorológico indiano, o déficit acumulado das chuvas caiu para 19% abaixo da média histórica até 22 de julho, uma melhora significativa frente aos 42% registrados no fim de junho.

A recuperação das precipitações reduz, ao menos temporariamente, os riscos para a safra indiana e diminui a percepção de uma possível restrição na oferta global da commodity. Ainda assim, o mercado permanece atento à evolução do clima. O Ministério de Ciências da Terra da Índia continua alertando que esta poderá ser a temporada de monções mais fraca dos últimos 11 anos, mantendo a incerteza sobre o potencial produtivo do país.

Petróleo limita perdas

Apesar da pressão exercida pelo clima na Índia, a alta do petróleo continua impedindo uma queda mais acentuada das cotações. Com o petróleo em níveis elevados, o etanol ganha competitividade frente aos combustíveis fósseis, aumentando a expectativa de que usinas, especialmente no Brasil, destinem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível.

Esse movimento tende a reduzir a disponibilidade de açúcar para exportação e continua oferecendo sustentação ao mercado internacional.
Outro fator acompanhado pelos investidores é o posicionamento dos fundos de investimento na Bolsa de Londres. Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições líquidas compradas em açúcar branco na semana encerrada em 14 de julho, atingindo um recorde de 58.847 contratos.

Na avaliação dos analistas, esse elevado volume de posições compradas pode ampliar a volatilidade das cotações, especialmente em momentos de realização de lucros.

Mesmo com a recente correção, o açúcar ainda acumula valorização no último mês. No início de julho, os contratos em Nova Iorque alcançaram os maiores níveis em cerca de dois meses, enquanto os preços em Londres renovaram máximas de aproximadamente dez meses, impulsionados pelas preocupações com a produção asiática e pelos riscos climáticos para a oferta mundial.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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