Açúcar fecha em forte alta com avanço do petróleo e expectativa de maior demanda por etanol

Contratos se recuperam após perdas recentes; valorização do petróleo reforça competitividade do etanol, enquanto clima na Índia segue no radar do mercado
Publicado em 17/07/2026 15:55

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Os preços do açúcar encerraram a sexta-feira (17) em forte alta nas principais bolsas internacionais, recuperando parte das perdas registradas nos últimos pregões. O movimento foi impulsionado pela valorização do petróleo, que fortaleceu as perspectivas para o mercado de etanol e estimulou a recompra de contratos por investidores.

Na Bolsa de Nova Iorque, o contrato com vencimento em outubro fechou cotado a 14,83 cents por libra-peso, alta de 39 pontos. Em Londres, o contrato de açúcar branco para outubro encerrou o pregão a US$ 469,90 por tonelada, com avanço de US$ 15,30.

O principal fator de sustentação das cotações foi a forte alta do petróleo. O contrato futuro do petróleo WTI avançou mais de 4% na sexta-feira e atingiu o maior nível em aproximadamente um mês. Com o petróleo mais caro, o etanol ganha competitividade, aumentando a expectativa de que usinas, especialmente no Brasil, destinem uma parcela maior da cana à produção do biocombustível em vez do açúcar. Esse movimento tende a reduzir a oferta da commodity no mercado internacional e favorece a valorização dos contratos.

Além disso, a alta do petróleo levou investidores que apostavam na queda dos preços do açúcar a recomprar contratos para encerrar suas posições, reforçando o movimento de recuperação das cotações.

Apesar da alta do dia, o mercado continua acompanhando atentamente as condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit de chuvas da temporada de monções caiu para 24% abaixo da média histórica até 17 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho.

A recuperação das precipitações reduz parte das preocupações imediatas com a oferta global. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos. Como o período entre junho e setembro é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o comportamento do clima continuará sendo um dos principais fatores acompanhados pelos investidores.

Outro ponto de atenção é o posicionamento dos fundos de investimento na Bolsa de Londres. Dados mais recentes do relatório Commitment of Traders (COT) mostram que os fundos ampliaram em 716 contratos suas posições compradas em açúcar branco na semana encerrada em 14 de julho, elevando o saldo para um recorde de 58.847 posições líquidas compradas, o maior nível da série histórica iniciada em 2011.

Segundo analistas, esse elevado volume de posições compradas pode aumentar a volatilidade do mercado nas próximas sessões, já que movimentos de realização de lucros tendem a provocar oscilações mais intensas nas cotações.

Nas últimas semanas, o mercado do açúcar foi marcado por forte volatilidade. As preocupações com as monções na Índia levaram os contratos a atingir os maiores níveis dos últimos meses, mas a melhora recente das chuvas desencadeou um movimento de realização de lucros. Mesmo assim, as incertezas em torno da safra indiana e da oferta global seguem no radar dos investidores e continuam influenciando a formação dos preços.

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Por:
Andréia Marques I instagram: @andreia.marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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