Chuvas na Índia pressionam mercado e açúcar encerra sessão em baixa nas bolsas
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As cotações do açúcar encerraram a segunda-feira (13) em queda nas principais bolsas internacionais, ampliando as perdas pelo segundo pregão consecutivo. O avanço das chuvas de monção na Índia reduziu as preocupações com a oferta global e pressionou o mercado, embora a forte alta do petróleo tenha limitado um recuo mais intenso das cotações ao longo da sessão.
Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou cotado a 14,75 cents por libra-peso, com queda de 13 pontos. Em Londres, o contrato agosto encerrou o pregão a US$ 463,10 por tonelada, baixa de 400 pontos.
O principal fator de pressão sobre os preços continua sendo a melhora das condições climáticas na Índia. Dados divulgados pelo Departamento Meteorológico do país mostram que o déficit acumulado de chuvas durante a temporada de monções caiu para 19% abaixo da média histórica até 13 de julho, uma recuperação expressiva em relação aos 42% registrados no fim de junho.
Com a melhora das precipitações, parte do mercado reduziu os prêmios de risco associados à possibilidade de perdas na safra do segundo maior produtor mundial de açúcar, levando as cotações a atingirem os menores níveis das últimas duas semanas.
Apesar disso, o mercado recuperou parte das perdas ao longo do dia, impulsionado pela valorização do petróleo. O contrato do petróleo WTI avançou mais de 9%, alcançando o maior nível em cerca de três semanas e meia. A alta da commodity aumenta a competitividade do etanol e pode incentivar usinas a destinarem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
Outro fator acompanhado pelos investidores é o elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos na Bolsa de Londres (ICE). Segundo o relatório Commitment of Traders (COT), divulgado na última sexta-feira, os fundos ampliaram suas posições líquidas compradas em 10.368 contratos na semana encerrada em 7 de julho, atingindo um recorde de 58.131 contratos líquidos. Esse cenário pode aumentar a volatilidade do mercado e favorecer novos movimentos de realização de lucros.
Déficit global continua sustentando as perspectivas
Apesar da queda registrada nesta segunda-feira, os fundamentos de médio prazo permanecem dando suporte ao mercado.
A consultoria Czarnikow revisou recentemente sua estimativa para a safra mundial 2026/27 e passou a projetar um déficit global de 600 mil toneladas de açúcar, principalmente em razão da redução da produção na União Europeia.
Segundo a consultoria, a intensa onda de calor que atinge o continente comprometeu o desenvolvimento da beterraba sacarina, levando à revisão da estimativa de produção do bloco para 13,9 milhões de toneladas.
Embora os estoques remanescentes da safra anterior reduzam o risco de escassez no curto prazo, a Czarnikow avalia que o mercado terá menor margem para absorver eventuais perdas em outros importantes produtores ao longo da temporada.
Além disso, os investidores seguem atentos ao comportamento do El Niño. Na última semana, a agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para um evento de intensidade forte e não descartou a possibilidade de evolução para um episódio muito forte nos próximos meses.
O fenômeno climático costuma provocar seca e temperaturas elevadas em importantes produtores de açúcar, como Índia e Tailândia, além de favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil, fatores que continuam sendo monitorados de perto por seus potenciais impactos sobre a oferta mundial da commodity.
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