Açúcar amplia perdas nas bolsas com melhora do clima na Índia e pressão do petróleo

Mercado acompanha avanço das monções no segundo maior produtor mundial, enquanto projeções de déficit global e riscos climáticos seguem limitando quedas mais acentuadas.
Publicado em 13/07/2026 11:45

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Os preços do açúcar seguem em queda nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (13), ampliando o movimento de correção iniciado no fim da semana passada. O mercado continua pressionado pela melhora das chuvas na Índia e pela fraqueza do petróleo, fatores que reduzem as preocupações imediatas com a oferta global da commodity.

Por volta das 12h (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 14,68 cents por libra-peso, com queda de 20 pontos. O vencimento março/27 recuava 24 pontos, cotado a 15,61 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato agosto era negociado a US$ 455,90 por tonelada, baixa de 112 pontos. Já o contrato outubro era comercializado a US$ 455,60 por tonelada, com recuo de 900 pontos.

Na última sexta-feira, o mercado já havia encerrado em baixa, pressionado pela queda de cerca de 1% nos preços do petróleo. Com o combustível mais barato, o etanol perde competitividade, aumentando a expectativa de que usinas destinem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, o que tende a elevar a oferta da commodity no mercado internacional.

Outro fator que continua pesando sobre as cotações é a melhora das chuvas durante a temporada de monções na Índia. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o déficit acumulado de precipitações caiu para 15% abaixo da média histórica até 10 de julho, uma recuperação significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho. Esse cenário reduz parte das preocupações com possíveis perdas na produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.

Além dos fundamentos climáticos, o mercado também passa por um movimento de ajuste após a forte valorização registrada nas últimas semanas. Dados do relatório Commitment of Traders (COT) mostram que os fundos ampliaram suas posições compradas em açúcar branco negociado na ICE para um recorde de 58.131 contratos líquidos, o que pode favorecer novas realizações de lucros e ampliar a volatilidade das cotações.

Déficit global continua no radar

Apesar da pressão observada nos últimos pregões, as perspectivas para a oferta mundial seguem oferecendo suporte ao mercado.

A consultoria Czarnikow projeta um déficit global de 600 mil toneladas de açúcar na safra 2026/27, principalmente em função da redução da produção na União Europeia. A intensa onda de calor que atinge o continente comprometeu o desenvolvimento da beterraba sacarina e levou a consultoria a revisar sua estimativa de produção do bloco para 13,9 milhões de toneladas.

Embora os estoques acumulados da safra anterior reduzam o risco de desabastecimento no curto prazo, a Czarnikow avalia que o mercado terá menos margem para absorver eventuais perdas em outros importantes países produtores ao longo da temporada.

Os investidores também seguem atentos à evolução do El Niño. Na semana passada, a agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para um evento de intensidade forte e não descartou a possibilidade de evolução para um episódio muito forte nos próximos meses.

O fenômeno climático costuma provocar seca e temperaturas elevadas em importantes produtores de açúcar, como Índia e Tailândia, além de favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil. Esses fatores continuam sendo monitorados de perto pelos agentes do mercado devido aos possíveis impactos sobre a oferta global da commodity.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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