Açúcar fecha sem direção única, com câmbio e clima na Índia no centro das atenções
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O mercado do açúcar encerrou a quinta-feira (9) sem uma direção única nas principais bolsas internacionais. Em Nova Iorque, as cotações registraram leve alta, sustentadas pela valorização do real frente ao dólar, enquanto Londres fechou em baixa diante da melhora das chuvas na Índia, que reduziu parte das preocupações com a oferta global.
O contrato outubro do açúcar bruto, negociado em Nova Iorque, fechou com leve alta de 1 ponto, cotado a 15,12 cents por libra-peso.
Já em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou o pregão em queda de 200 pontos, negociado a US$ 478,60 por tonelada.
O fortalecimento do real foi um dos principais fatores de sustentação para os contratos em Nova Iorque. Com a moeda brasileira atingindo o maior valor em cerca de três semanas frente ao dólar, diminui o incentivo para que os produtores brasileiros ampliem as vendas ao mercado externo, fator que tende a restringir a oferta da commodity e dar suporte às cotações internacionais.
Por outro lado, a melhora das chuvas durante a temporada de monções na Índia limitou um avanço mais consistente dos preços. O déficit de precipitações caiu para 15% abaixo da média histórica até 8 de julho, uma recuperação significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho.
Mesmo com essa melhora, o mercado continua monitorando o comportamento do clima no segundo maior produtor mundial de açúcar. O Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções pode ser a mais fraca dos últimos 11 anos. Como as chuvas entre junho e setembro são fundamentais para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, persistem as preocupações com possíveis impactos sobre a produção.
Nas últimas duas semanas, as cotações acumularam forte valorização. Na quarta-feira, o açúcar em Nova Iorque atingiu o maior patamar em cerca de dois meses, enquanto os contratos em Londres alcançaram as maiores cotações em aproximadamente dez meses, refletindo os temores em relação à oferta global.
Déficit global segue no radar
Outro fator que continua oferecendo suporte ao mercado é a revisão das perspectivas para a safra mundial de açúcar. A consultoria Czarnikow passou a projetar um déficit global de 600 mil toneladas para a temporada 2026/27, principalmente em razão da redução da produção na União Europeia.
Segundo a consultoria, a intensa onda de calor que atinge a Europa comprometeu o desenvolvimento da beterraba sacarina e reduziu a área plantada. Com isso, a estimativa para a produção de açúcar da UE-27 foi revisada para 13,9 milhões de toneladas.
Embora o excedente da safra anterior reduza o risco de uma escassez imediata, a Czarnikow avalia que o mercado terá menos margem para absorver eventuais perdas de produção em outros grandes países produtores ao longo da temporada.
Além disso, o mercado segue acompanhando a evolução do El Niño. Na semana passada, a agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para o fenômeno para a categoria forte e não descartou a possibilidade de que ele evolua para um episódio muito forte nos próximos meses.
O fenômeno climático costuma provocar seca e calor em importantes produtores de açúcar, como Índia e Tailândia, ao mesmo tempo em que pode favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil, fatores que seguem no radar dos investidores por seus possíveis impactos sobre a oferta mundial da commodity.
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