Açúcar recua nas bolsas, mas mercado segue atento aos riscos para a oferta global
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Os preços do açúcar operam em queda nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (9), em um movimento de ajuste após a forte valorização registrada nas últimas semanas. Apesar do recuo, o mercado continua acompanhando de perto os fatores que podem restringir a oferta global da commodity, como as condições climáticas nos principais países produtores e as projeções para a safra 2026/27.
Por volta das 11h (horário de Brasília), na bolsa de Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 15,05 cents por libra-peso, com queda de 6 pontos. O contrato março/2027 recuava 4 pontos, cotado a 16,03 cents por libra-peso.
Em Londres, as cotações também operavam em baixa. O contrato agosto era negociado a US$ 478,60 por tonelada, queda de 200 pontos, enquanto o contrato outubro recuava 180 pontos, para US$ 470,60 por tonelada.
Na sessão anterior, os contratos encerraram sem direção única. Em Nova Iorque, as cotações recuaram após a melhora das chuvas das monções na Índia estimular um movimento de realização de lucros. Já em Londres, os preços encontraram sustentação na alta do petróleo e nas perspectivas de uma oferta global mais restrita na próxima safra.
Czarnikow reforça perspectiva de oferta mais apertada
Os fundamentos do mercado, no entanto, seguem oferecendo suporte às cotações. A consultoria Czarnikow revisou sua projeção para a safra mundial de açúcar 2026/27 e passou a estimar um déficit global de 600 mil toneladas, principalmente em razão da redução da produção na União Europeia.
Segundo a consultoria, a intensa onda de calor que atinge o continente europeu compromete o desenvolvimento da beterraba sacarina e reduziu a área plantada. Com isso, a previsão para a produção de açúcar da UE-27 foi revisada para 13,9 milhões de toneladas.
Embora os estoques acumulados na safra anterior reduzam o risco de escassez imediata, a Czarnikow avalia que o mercado terá menor margem para absorver eventuais perdas de produção em outros grandes países produtores ao longo da temporada.
As atenções também permanecem voltadas para o clima global. Na semana passada, a agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para o fenômeno El Niño para a categoria forte e alertou que o evento pode evoluir para um episódio muito forte nos próximos meses.
O fenômeno costuma provocar períodos de seca e calor em importantes produtores de açúcar, como Índia e Tailândia, ao mesmo tempo em que pode favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil. Esse cenário continua sendo acompanhado de perto pelos investidores, diante do potencial impacto sobre a oferta mundial da commodity.
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