Açúcar fecha sem direção única; melhora das chuvas na Índia pressiona Nova Iorque, enquanto petróleo sustenta Londres
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Os preços do açúcar encerraram a quarta-feira (8) sem uma direção única nas principais bolsas internacionais. Enquanto os contratos em Nova Iorque recuaram após a melhora das condições climáticas na Índia estimular a realização de lucros, as cotações em Londres seguiram sustentadas pela alta do petróleo e pelas perspectivas de um mercado global mais apertado na próxima safra.
O contrato outubro do açúcar bruto, negociado em Nova Iorque, fechou com queda de 3 pontos, cotado a 15,11 cents por libra-peso.
Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou com alta de 470 pontos, negociado a US$ 480,60 por tonelada.
O mercado reagiu aos novos dados do Departamento Meteorológico da Índia, que mostraram melhora no regime de chuvas das monções. Até 8 de julho, o acumulado de precipitações estava 15% abaixo da média histórica, uma recuperação significativa em relação ao déficit de 42% registrado no fim de junho.
Com isso, parte dos investidores aproveitou para realizar lucros após a forte valorização acumulada nas últimas semanas, período em que o açúcar em Nova Iorque atingiu os maiores níveis em cerca de dois meses.
Apesar da pressão provocada pela melhora do clima na Índia, as cotações encontraram suporte na forte alta do petróleo. O barril do WTI avançou cerca de 4%, favorecendo a competitividade do etanol e reforçando a expectativa de que usinas em diferentes países destinem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar no mercado internacional.
Czarnikow reforça perspectiva de oferta mais apertada
Outro fator de sustentação veio da consultoria Czarnikow, que revisou suas perspectivas para a safra global de 2026/27. A empresa passou a projetar um déficit de 600 mil toneladas de açúcar, principalmente em razão da redução da produção na União Europeia.
Segundo a consultoria, a onda de calor que atinge o continente europeu compromete o desenvolvimento da beterraba sacarina e reduziu a área plantada na região. Com isso, a previsão para a produção de açúcar da UE-27 foi revisada para 13,9 milhões de toneladas.
Apesar de destacar que os estoques acumulados na safra anterior evitam um cenário de escassez imediata, a Czarnikow avalia que o mercado passa a ter uma margem menor para absorver eventuais perdas de produção em outros grandes produtores ao longo da temporada.
As atenções também seguem voltadas para o clima global. Na semana passada, a agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para o fenômeno El Niño para a categoria forte e alertou que o evento pode evoluir para um episódio muito forte nos próximos meses.
O fenômeno costuma provocar seca e calor em importantes produtores de açúcar, como Índia e Tailândia, além de favorecer chuvas excessivas no Brasil durante a colheita, fatores que podem influenciar a oferta mundial da commodity.
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