Real fortalecido e clima na Índia impulsionam preços do açúcar nas bolsas internacionais
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As cotações do açúcar encerraram a segunda-feira (6) em alta nas principais bolsas internacionais, sustentadas pela valorização do real frente ao dólar e pelas persistentes preocupações com a oferta global da commodity. O mercado continua monitorando o desenvolvimento da safra na Índia, onde o déficit de chuvas durante a temporada de monções mantém as incertezas sobre a produção.
Em Nova Iorque, o contrato outubro fechou com alta de 37 pontos, negociado a 15,22 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou cotado a US$ 488,80 por tonelada, com avanço de 300 pontos.
O fortalecimento do real frente ao dólar foi um dos fatores de sustentação das cotações nesta sessão. Uma moeda brasileira mais valorizada tende a reduzir o interesse dos produtores em realizar vendas externas, limitando a oferta de açúcar no mercado internacional.
O mercado também segue atento às condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial da commodity. Segundo o Departamento Meteorológico do país, o acumulado de chuvas das monções estava 20% abaixo da média histórica até 6 de julho.
A preocupação é que a escassez de chuvas comprometa tanto a produtividade da safra atual quanto o desenvolvimento da próxima temporada. Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o cultivo da cana-de-açúcar, o mercado continua precificando riscos de uma oferta global mais restrita.
Nos últimos dias, os preços já vinham acumulando forte valorização. Na semana passada, o açúcar em Nova Iorque atingiu o maior patamar em cerca de dois meses, enquanto os contratos em Londres renovaram as máximas em aproximadamente nove meses, refletindo justamente as preocupações com a produção asiática.
Exportações brasileiras recuam
Os embarques brasileiros de açúcares e melaços perderam ritmo em junho. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mostram que o Brasil exportou 3,13 milhões de toneladas no mês, volume 7,16% inferior ao registrado em junho de 2025, quando os embarques somaram 3,37 milhões de toneladas.
A receita das exportações caiu ainda mais intensamente, recuando 24,26%, de US$ 1,44 bilhão para US$ 1,09 bilhão. O preço médio de exportação também diminuiu 18,42%, passando de US$ 428,54 para US$ 349,59 por tonelada.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o Brasil embarcou 12,29 milhões de toneladas de açúcares e melaços, volume 4,39% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.
Em receita, as exportações totalizaram US$ 4,43 bilhões, queda de 24,98% frente aos US$ 5,90 bilhões obtidos entre janeiro e junho de 2025.
Já o preço médio das exportações ficou em US$ 360,01 por tonelada, retração de 21,53% na comparação anual.
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