Preço do etanol pode seguir pressionado se demanda não reagir, alerta consultoria
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O mercado brasileiro de etanol pode enfrentar novas quedas de preços ao longo da safra 2026/27, caso o consumo doméstico não cresça o suficiente para absorver a maior oferta do biocombustível.
Em relatório divulgado na última sexta-feira (3), a consultoria Czarnikow alerta que a necessidade de direcionar mais cana para a produção de etanol elevou significativamente a disponibilidade do produto, cenário que pode pressionar ainda mais as cotações e, por consequência, afetar também o mercado de açúcar.
"Os motoristas precisam migrar o consumo para o etanol para absorver a oferta adicional resultante da maior destinação de cana ao biocombustível. Caso contrário, os preços do etanol permanecerão pressionados e poderão arrastar os preços do açúcar junto", afirmou a analista Ana Zancaner no relatório.
Segundo a consultoria, embora os preços do etanol hidratado tenham recuado cerca de 15% desde o início da safra, o biocombustível continua mais atrativo que o açúcar para as usinas na maior parte dos Estados produtores, inclusive em alguns momentos em São Paulo.
Essa relação de preços levou as unidades a ampliarem a produção de etanol, reduzindo o mix açucareiro ao menor nível desde a safra 2022/23.
A Czarnikow destacou que a produção de etanol hidratado de cana até a segunda quinzena de maio está 44% acima da registrada no mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, a produção de etanol de milho caiu 15% na comparação anual, fator que evitou um excedente ainda maior de oferta. Ainda assim, o superávit estimado permanece elevado, em cerca de 1,5 bilhão de litros.Na avaliação da consultoria, a demanda, porém, ainda não respondeu ao aumento da oferta.
A paridade entre etanol e gasolina atingiu o menor nível da década, mas isso não foi suficiente para estimular o consumo em intensidade capaz de equilibrar o mercado. "A participação do etanol hidratado precisa superar 30% para sustentar os preços", destacou o relatório.
A consultoria acrescentou que "cada ponto porcentual de redução no mix açucareiro pode adicionar cerca de 500 milhões de litros ao balanço de oferta de etanol".Outro fator de atenção é o avanço da produção de etanol anidro, impulsionado principalmente pelo milho. Segundo a Czarnikow, a produção do combustível está cerca de 60% acima da registrada há um ano e pode acrescentar aproximadamente 1 bilhão de litros ao mercado até o fim da temporada.
Cana-de-açúcar
A cana-de-açúcar também pode contribuir com mais 600 milhões de litros de anidro.Para aliviar esse excedente, a consultoria considera essencial o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina. Atualmente fixada em 30%, a mistura pode chegar a 35% pela legislação. A expectativa é de que o governo eleve o porcentual para 32% ainda neste ano, medida que, se implementada em agosto, criaria demanda adicional de aproximadamente 700 milhões de litros.
Em relação à produção de cana, a Czarnikow observa que as chuvas mais intensas atrasaram a moagem na segunda quinzena de maio. No acumulado da safra, contudo, o processamento de cana permanece 16% acima do registrado em igual período do ciclo anterior, compensando parcialmente a forte redução do mix destinado ao açúcar.
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