Açúcar opera sem direção única; Nova Iorque reage enquanto mercado acompanha petróleo
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As cotações do açúcar operam sem direção única nas bolsas internacionais nesta segunda-feira (6). Enquanto os contratos em Nova Iorque voltaram a subir ao longo do pregão, impulsionados pelos fundamentos de oferta, o mercado em Londres registrava queda, refletindo a influência do petróleo e um movimento de ajuste após as fortes altas das últimas sessões.
Por volta das 11h00 (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro avançava 17 pontos, negociado a 15,02 cents por libra-peso. O contrato março/27 subia 15 pontos, cotado a 15,92 cents por libra-peso.
Em Londres, as cotações operavam em baixa. O contrato agosto era negociado a US$ 479,50 por tonelada, com recuo de 590 pontos. Já o contrato outubro caía 520 pontos, para US$ 471,00 por tonelada.
Na última quinta-feira (2), o mercado encerrou em direções opostas. Enquanto o açúcar branco em Londres renovou as máximas de cerca de nove meses, os contratos em Nova Iorque devolveram parte dos ganhos registrados na sessão anterior.
Petróleo em queda
Nesta segunda-feira, o mercado também acompanha o comportamento do petróleo. Os contratos futuros da commodity abriram o dia com queda superior a 1%, após a decisão da Opep+ de ampliar sua meta de produção a partir de agosto. Além disso, a normalização do fluxo de embarques pelo Estreito de Ormuz reduziu parte das preocupações com o abastecimento global de petróleo.
A queda do petróleo tende a pressionar os preços do etanol, aumentando a expectativa de que usinas destinem uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, o que pode elevar a oferta da commodity no mercado internacional.
Apesar desse fator, os fundamentos seguem favoráveis às cotações. O principal suporte continua vindo do clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 38% abaixo da média histórica até 1º de julho. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que esta pode ser a monção mais fraca dos últimos 11 anos.
Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado segue atento aos possíveis impactos sobre a produção da Índia e também da Tailândia, outro importante exportador mundial.
Na avaliação de Marcelo Bonifácio Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX, o início da temporada preocupa e pode comprometer a oferta nos próximos meses.
"A Índia registrou um dos piores inícios de temporada de monções da série histórica, com chuvas cerca de 40% abaixo da média até o fim de junho. Isso pode comprometer tanto a produtividade da safra atual quanto o desenvolvimento da próxima temporada."
Além das incertezas climáticas na Ásia, os investidores continuam monitorando a safra brasileira. Dados divulgados pela UNICA mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul alcançou 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio da safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Outro fator que mantém o mercado atento é o mix de produção das usinas brasileiras. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, enquanto a parcela direcionada ao etanol avançou para 58,38%. Esse cenário reduz a disponibilidade de açúcar para exportação e continua oferecendo sustentação aos preços internacionais.
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