Açúcar encerra semana em alta em Londres com oferta global no radar e clima na Índia sustentando mercado
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O mercado internacional do açúcar encerrou a semana com os investidores atentos aos fundamentos da oferta global. Nesta sexta-feira (3), sem negociações na bolsa de Nova Iorque devido ao feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos celebrado no dia 4, as atenções ficaram voltadas para Londres, onde as cotações seguiram em alta, sustentadas pelas preocupações com a safra asiática e pelo menor volume de açúcar produzido no Brasil.
O contrato agosto do açúcar branco na bolsa de Londres fechou cotado a US$ 485,40 por tonelada, alta de 200 pontos, permanecendo próximo dos maiores níveis registrados nos últimos nove meses.
Na quinta-feira (2), o mercado encerrou em direções opostas. Enquanto o açúcar em Londres atingiu a maior cotação em cerca de 9,75 meses, os contratos em Nova Iorque recuaram após a forte valorização da véspera.
A pressão sobre os preços em Nova Iorque veio da queda do petróleo. O contrato WTI recuou ao menor nível em aproximadamente quatro meses, reduzindo a atratividade do etanol e reforçando a expectativa de que usinas ao redor do mundo possam direcionar uma parcela maior da cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta da commodity.
Apesar desse fator, os fundamentos seguem dando sustentação às cotações. O principal deles continua sendo o clima na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 38% abaixo da média histórica até 1º de julho. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que esta pode ser a monção mais fraca dos últimos 11 anos.
Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado acompanha de perto os possíveis impactos sobre a produção da Índia e também da Tailândia, outro importante exportador mundial.
Na avaliação de Marcelo Bonifácio Filho, analista de inteligência de mercado da StoneX, o início da temporada preocupa e pode comprometer a oferta nos próximos meses.
"A Índia registrou um dos piores inícios de temporada de monções da série histórica, com chuvas cerca de 40% abaixo da média até o fim de junho. Isso pode comprometer tanto a produtividade da safra atual quanto o desenvolvimento da próxima temporada."
Além das incertezas climáticas na Ásia, os investidores seguem monitorando a safra brasileira. Dados divulgados pela UNICA mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul alcançou 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio da safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Outro fator de suporte é a mudança no mix de produção das usinas brasileiras. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, enquanto a parcela direcionada ao etanol avançou para 58,38%, reduzindo a disponibilidade do adoçante para exportação e reforçando a perspectiva de uma oferta global mais restrita.
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