Açúcar amplia ganhos em Londres e mercado segue atento ao clima na Índia e à oferta global

Investidores acompanham o déficit de chuvas na Índia e o menor direcionamento da cana para a produção de açúcar no Brasil, fatores que sustentam as cotações internacionais. Bolsa de Nova Iorque permanece fechada.
Publicado em 03/07/2026 11:52

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As cotações do açúcar seguem em alta na bolsa de Londres nesta sexta-feira (3), sustentadas pelas preocupações com a oferta global da commodity. O mercado continua monitorando o déficit de chuvas na Índia e o direcionamento da cana para a produção de etanol no Brasil, fatores que vêm dando suporte aos preços internacionais.

Por volta das 11h (horário de Brasília), o contrato agosto do açúcar branco era negociado a US$ 485,80 por tonelada, alta de 270 pontos. O contrato outubro avançava 190 pontos, cotado a US$ 476,90 por tonelada.

A bolsa de Nova Iorque permanece fechada nesta sexta-feira em razão do feriado do Dia da Independência dos Estados Unidos, celebrado em 4 de julho. As negociações serão retomadas normalmente na próxima segunda-feira (6).

Na sessão anterior, os contratos em Londres renovaram o maior patamar dos últimos nove meses. Já em Nova Iorque, as cotações recuaram após a forte valorização registrada na quarta-feira, em um movimento de ajuste influenciado pela queda dos preços do petróleo.

O recuo do petróleo WTI para o menor nível em aproximadamente quatro meses pressionou o mercado de etanol. Com um cenário menos favorável ao biocombustível, aumenta a expectativa de que usinas em diferentes regiões produtoras direcionem uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar, elevando a oferta da commodity no mercado internacional.

Apesar desse fator, os fundamentos permanecem positivos para as cotações. O principal suporte continua vindo das condições climáticas na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções permanecia 38% abaixo da média histórica até 1º de julho. O Ministério de Ciências da Terra da Índia também alertou que esta pode ser a monção mais fraca dos últimos 11 anos.

Como o período de monções, entre junho e setembro, é decisivo para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado acompanha de perto os impactos que a escassez de chuvas pode provocar na produção da Índia e também da Tailândia, importante exportadora da commodity.

Os investidores também seguem atentos aos fundamentos da safra brasileira. Dados divulgados pela UNICA mostram que a produção de açúcar do Centro-Sul alcançou 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio da safra 2026/27, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Além da menor produção, o mix das usinas continua favorecendo o etanol. A participação da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, enquanto a parcela direcionada ao biocombustível avançou para 58,38%, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação e reforçando a perspectiva de uma oferta global mais restrita.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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